Traficante em "prisão-motel" é suspeito de envolvimento em chacina na fronteira

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Polícia paraguaia fez operação em cela de narcotraficante Faustino Ramón Aguayo Cabañas em presídio de Pedro Juan Caballero; à esquerda, bilhete deixado na cena de um crime na cidade - Montagem/Reprodução/Twitter/UOL
Polícia paraguaia fez operação em cela de narcotraficante Faustino Ramón Aguayo Cabañas em presídio de Pedro Juan Caballero; à esquerda, bilhete deixado na cena de um crime na cidade - Montagem/Reprodução/Twitter/UOL
  • Um traficante que cumpria pena em uma "prisão-motel" é suspeito de envolvimento em chacina

  • Entre as vítimas, está Farid Charbell Badaoui Afif (DEM-MS), de 37 anos, vereador de Ponta Porã

  • Também foi morta a paraguaia Haylee Carolina Acevedo Yunis, filha do governador Ronald Acevedo

As investigações da chacina na fronteira entre Brasil e Paraguai, na última semana, ganharam novas versões. Um narcotraficante que cumpria pena em uma espécie de "prisão-motel" é suspeito de envolvimento na execução de cinco pessoas em menos de 24 horas na região. Entre as vítimas, está Farid Charbell Badaoui Afif (DEM-MS), de 37 anos, vereador de Ponta Porã, cidade sul-mato-grossense vizinha à paraguaia Pedro Juan Caballero.

Segundo reportagem do portal UOL, o narcotraficante Faustino Ramón Aguayo Cabañas foi flagrado na manhã da última quinta-feira (14) em uma cela VIP com uma amante. Na "prisão-motel", em Pedro Juan Caballero, policiais encontraram cama de casal, televisão, mesa de bilhar, ar-condicionado, internet e celulares. Após a inspeção, a penitenciária foi fechada temporariamente pelo governo paraguaio.

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"As celas, que eram privadas, foram transformadas em celas VIP. Paralelamente, continua a investigação criminal e fiscal. Essas celas são fruto de um ato de corrupção", disse Cecília Pérez, ministra da Justiça do Paraguai, em entrevista coletiva após a ação.

Cabañas é suspeito de ser mandante do crime, por motivações passionais. Segundo a polícia paraguaia, o alvo da chacina era Osmar Vicente Alvarez Grance, um dos mortos. Uma das linhas de investigação aponta que ele seria ex-namorado de Mirna Keldryn Romero Lesme, 22, flagrada na cela VIP.

De acordo com a polícia do país vizinho, Mirna é filha do braço direito de José Carlos Acevedo, prefeito reeleito de Pedro Juan Caballero. O prefeito negou o suposto envolvimento do narcotraficante no crime.

Integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital) negaram participação na chacina na fronteira entre Brasil e Paraguai. "Prezamos a vida acima de tudo, porém quando temos que tomar alguma atitude referente a alguém este mesmo é comunicado que está decretado [sic] a morte. Não compactuamos, não concordamos com atos que causem a morte covardemente de pessoas inocentes e combatemos tais atos", diz o trecho da mensagem do PCC interceptada pelo serviço de inteligência do governo de São Paulo na noite de 9 de outubro, horas depois do crime.

Como aconteceu o crime

Além do vereador Farid Afif, foram assassinadas outras duas vítimas brasileiras e duas paraguaias, entre elas Haylee Carolina Acevedo Yunis, de 21 anos, filha do governador do estado de Amambai, Ronald Acevedo, e sobrinha de José Carlos Acevedo. Ela foi atingida por seis tiros.

De acordo com a Polícia Civil, os tiros que atingiram o parlamentar foram disparados por uma pessoa que estava em uma motocicleta. No local foram recolhidos quatro munições de calibre ponto 45 e pelo menos um acertou o parlamentar, que morreu no local. Os policiais recolheram equipamentos de gravação de imagens para análise do que foi capturado em relação à execução.

Conforme a polícia paraguaia, as quatro pessoas mortas no início da manhã deste sábado foram atingidas por tiros quando saíam de uma casa noturna. Elas estavam em um veículo de placas do Paraguai e os atiradores, em uma caminhonete.

Os suspeitos desceram da caminhonete, se aproximaram do veículo da vítima, atiraram e fugiram. Todos os baleados morreram no local.

Também foram mortas as estudantes de medicina brasileiras Kaline Reinoso de Oliveira, de 22 anos, natural de Dourados, morta com 14 tiros; e Rhamye Jamilly Borges de Oliveira, de 18 anos, assassinada com 10 tiros. Com informações do portal G1.

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