Traficante suspeito de ordenar de dentro de presídio sequestro de helicóptero é classificado como de 'alta periculosidade'

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Suspeito de ter comandado o sequestro de um helicóptero em Angra dos Reis, o traficante Márcio Gomes de Medeiros Roque, conhecido como Marcinho do Turano, é classificado oficialmente pelo sistema prisional como um detento de altíssima periculosidade. Com perfil violento, ele cumpre uma pena total de 64 anos, 02 meses e 10 dias de reclusão pela prática de, entre outros crimes, de moeda falsa, roubos, extorsão e tráfico de drogas. O criminoso é apontado como um dos cabeças da maior facção criminosa do Rio, ocupando uma comissão de 13 homens à frente da organização. Uma de suas funções é a de cuidar do dinheiro destinado às despesas dos presos. A aeronave abordada pelos bandidos no domingo seria utilizada na sua fuga do Instituto Penal Vicente Piragibe, no Complexo de Gericinó. Nesta terça-feira, ele foi transferido para Bangu 1, presídio de segurança máxima.

Detido pela primeira vez em 1993, ele acumula condenações desde 1994. Entre 2010 e 2015, ficou preso na Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Em 2016, a Justiça afastou novamente Marcinho do Turano do Rio, o enviando de volta para o Sistema Prisional Federal junto a outros 14 detentos. A decisão foi tomada após o traficante e mais outros homens da cúpula da facção fazerem festa dentro do Complexo de Gericinó ao serem avisados, por mensagem de WhatsApp, do resgate do bandido Nicolas Labre Pereira de Jesus, mais conhecido como Fat Family, de dentro do Hospital Souza Aguiar.

A audácia do bando foi uma prova do poder desses traficantes tanto dentro como fora dos presídios do Rio. Na ocasião, o juiz titular da Vara de Execuções Penais, Eduardo Oberg, criticou o sistema dizendo que cadeias não funcionam. "São bandidos de altíssima periculosidade e a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária não consegue controlar o que entra nas unidades. Há uma inépcia enorme da secretaria", disse.

Apontado como o chefe do tráfico de drogas em várias favelas do Rio, incluindo o Morro do Turano, o Morro da Mineira e o Morro da Paula Ramos, Márcio Gomes de Medeiros Roque é visto como o responsável por comandar ações violentas no estado de dentro do presídio. Em 2016, a Secretaria estadual de Segurança considerava a sua transferência como "fundamental", como forma de evitar "novas associações e articulações", já que ele era "um dos líderes da facção".

O traficante foi colocado como suspeito de envolvimento no caso do helicóptero através de imagens de câmeras de monitoramento analisadas pela Secretaria estadual de Administração Penitenciária (Seap). Foram captadas imagens que mostram movimentação atípica do bandido, em regime semiaberto. Pelo relato do piloto do helicóptero, o policial civil Adonis Lopes de Oliveira, que disse ter entrado em luta corporal em pleno voo, recebeu dos criminosos que o sequestraram a indicação do local, com duas quadras de futebol, onde deveria ocorrer o resgate. E Marcinho do Turano, como mostram as gravações, foi um dos últimos presos a deixar o campo do presídio, depois que a cadeia fechou, por volta das 17h20.

Numa revista feita nesta terça na galeria onde ele estava preso, a Seap afirma ter encontrado grande quantidade de drogas, cinco celulares e um roteador. O secretário da Seap, Fernando Veloso, determinou que fossem instaladas armações de metal no campo da unidade para reforçar a segurança e impedir o pouso de aeronaves.


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