Traficantes de comunidade na Zona Oeste são investigados por expulsarem moradores de casa por suspeita de ligação com a milícia

A Polícia Civil investiga traficantes da comunidade do Tirol, na Freguesia, Zona Oeste do Rio, por suspeita de estarem expulsando moradores da localidade de suas casas. Tudo estaria ocorrendo sob as ordens do chefe do tráfico no local, Paulo César Souza dos Santos, conhecido como PL ou Paulinho Muleta, preso desde 2015. Segundo informações da polícia, as expulsões ocorrem pela simples suspeita dos criminosos de ligação dos moradores com milicianos que atuavam na comunidade até o fim de 2021.

Um antigo morador da comunidade, expulso pelos criminosos, registrou o caso na 41ª DP (Tanque), responsável pelas investigações, há cinco meses. A polícia tem recebido outras denúncias, mas muitas pessoas acabam não formalizando as acusações por medo dos traficantes.

Na última segunda-feira, policiais da delegacia do Tanque realizaram uma operação na Tirol e prenderam um homem que vendia drogas. Com ele, além de cocaína, crack e maconha, foi apreendido um caderno de contabilidade do tráfico com anotações sobre a comercialização de entorpecentes. Em uma das folhas, há uma anotação que faz menção ao chefe do tráfico na comunidade. “Pago P Muleta 10.000”, diz o texto.

Os traficantes tomaram a comunidade do Tirol após uma disputa com milicianos pelo controle da região. Em junho de 2020, uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público prendeu diversos paramilitares que atuavam na região, incluindo o soldado da Polícia Militar Anderson Gonçalves de Oliveira, acusado de chefiar o grupo.

A comunidade fica localizada no final da rua Tirol, que tem início ainda no Centro da Freguesia. Nas imediações, há uma extensa área de mata que desemboca na serra por onde passa a autoestrada Grajaú-Jacarepaguá, próximo ao Complexo do Lins.

Paulo Muleta, de 51 anos, também é apontado pela polícia como chefe do tráfico em comunidades do Lins, além do morro da Formiga, na Tijuca, Zona Norte do Rio. Ele está preso desde dezembro de 2015, quando foi capturado em um apartamento luxuoso com vista para o mar em Balneário Camboriú, no litoral de Santa Catarina. Veterano no crime, ele foi preso pela primeira vez em 1997.

Cumprindo pena de 19 anos, 4 meses e 22 dias de prisão por crimes como tráfico de drogas e associação para o tráfico no Instituto Penal Vicente Piragibe, no Complexo de Gericinó, Paulo Muleta obteve benefício de progressão do regime fechado para o semiaberto em 29 de novembro de 2022. O traficante, no entanto, ainda não tem autorização da Justiça para sair da cadeia e visitar familiares ou trabalhar. No fim do mês passado, a defesa fez um pedido para que PL tenha direito a deixar a unidade e trabalhar, mas ainda não há decisão da Vara de Execuções Penais.

A Polícia Civil pede que moradores procurem a 41a DP para denúncias. As informações podem ser passadas pelo WhatsApp da unidade (21 2332-2577) e não é preciso se identificar.

No dia 11 do mês passado, o policial militar Caio Cezar Lamas Cordeiro foi morto durante um tiroteio com criminosos na comunidade do Tirol. Um traficante também foi baleado e não resistiu. não resistiram e morreram.