Traficantes da Cidade de Deus erguem muro com buracos que seria usado em confrontos com a polícia

Rafael Nascimento de Souza e Fabiano Rocha
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RIO — A menos de 200 metros da Linha Amarela e a poucos passos da Estrada Miguel Salazar Mendes de Moraes — duas das principais vias que cortam a Cidade de Deus, na Zona oeste do Rio — criminosos ergueram um muro para se proteger durante operações policiais na comunidade, de acordo com a Polícia Militar. Tubos de PVC são embutidos na estrutura de tijolos de concreto, o que possibilita o apoio de canos de armas. O EXTRA fez registro exclusivo da estrutura.

Na manhã desta quarta-feira, dia 10, a Polícia Militar fez uma operação na Cidade de Deus, mas nem a presença de carros da corporação afastou criminosos de um local próximo de onde fica muro. Barricadas com pneus foram instaladas a poucos metros da barreira improvisada, restringindo a passagem de veículos.

As marcas de tiros são registros da rotina de violência enfrentada pelos moradores. As perfurações se espalham não apenas na estrutura montada pelos traficantes, como também nos postes de energia elétrica e nas paredes das lojas que cercam o supostol esconderijo.

Operação

A ação da PM nesta quarta-feira é a segunda na região apenas nesta semana. Até o momento, não há informações sobre apreensões ou prisões. Agentes do 18º BPM (Jacarepaguá), equipes do 2º Comando de Policiamento de Área (CPA) e unidades do Comando de Operações Especiais (COE) atuam na região.

Na operação de terça-feira, moradores da comunidade acusaram policiais de excessos. Vídeos mostram o momento em que um agente agride uma pessoa duas vezes em uma localidade conhecida como Quinze. Em outro ponto da favela, um policial, com um fuzil em mãos, é visto quando chuta a porta de uma residência enquanto um grupo protesta. Ele aponta a arma na direção dos moradores. Em seguida, arromba o portão e entra na casa.

Sobre a gravação, a PM informou que "o comando da corporação não tolera cometimentos de excessos por parte de seus membros".

Ainda de acordo com a instituição, quando é comprovado na análise de provas que agentes praticaram algum ato ilegal, a PM pune “os envolvidos quando identificados”. Por fim, a assessoria da Polícia Militar disse que "o referido material audiovisual será submetido à avaliação do comando e suas instâncias correicionais".

Por conta dessas ações, moradores protestaram na Estrada Miguel Salazar Mendes de Moraes. A corporação diz que esteve no local ontem, terça-feira, para apreender armas e drogas na comunidade. Durante a ação, quatro homens foram presos. Um fuzil, drogas e um rádio de comunicação foram encontrados.