Traficantes se passavam por pescadores para mandar droga para a Holanda

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Um complexo esquema de tráfico internacional de drogas foi desarticulado, ontem, pela Polícia Federal. A quadrilha usava embarcações e até mergulhadores para transportar cocaína a partir do Estado do Rio de Janeiro até o Espírito Santo e, dali, para o porto de Roterdã, na Holanda. Os suspeitos fingiam praticar pesca artesanal e, assim, faziam mergulhos de forma organizada para transportar grandes carregamentos para a Holanda. Em Vitória, se passavam por pescadores e mergulhadores recreativos para levar cocaína ao porto. Oito suspeitos foram presos na operação, batizada de Tamoios.

Durante a investigação, que durou cerca de dois anos, os agentes da PF apreenderam 14 carros de luxo. Foram localizados ainda seis imóveis de alto padrão no Rio e em Mangaratiba, na Região Metropolitana do estado, e em Guarapari, no Espírito Santo, além de 200 quilos de cocaína (em um barco e em um carro) e R$ 827 mil.Segundo o inquérito, o bando usava pequenas embarcações pesqueiras e mergulhadores profissionais.

Os traficantes tinham a seguinte logística: um grupo de criminosos saía da capital fluminense levando a cocaína, de carro, até Guarapari, no litoral do Espírito Santo. De lá, a droga ia de barco para Vitória. No porto da capital capixaba, com auxílio de pequenas embarcações, os criminosos colocavam o material nos cascos dos navios de grande porte, que tinham como destino a Europa.

— É importante ressaltar que essa organização trabalha de forma diferente na exportação do material ilícito. A gente está acostumado em ter inserção de drogas em contêneres — diz o delegado Bruno Tavares, chefe da Delegacia de Repressão a Drogas da PF no Rio.

Para os investigadores, não necessariamente os tripulantes dos navios concordavam com o transporte da cocaína ou sabiam que os cargueiros estavam carregados de drogas. Os agentes apuram se funcionários dos navios participavam do esquema. Já nos países europeus, o material era retirado das embarcações e preparado para o consumo.

Aproximadamente 60 policiais federais foram mobilizados para cumprir 12 mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão, expedidos pela 3ª Vara Federal Criminal do Rio.

As contas dos envolvidos foram alvo de um bloqueio judicial. Os agentes ainda apreenderam drogas durante a operação de ontem. Num endereço no Espírito Santo, foram apreendidos 50 quilos de maconha. Os seis imóveis milionários identificados como pertencendo a integrantes do esquema criminosos já estão bloqueados pela Justiça. Uma das casas, localizada em Mangaratiba, está avaliada em cerca de R$ 10 milhões. Entre os 14 carros apreendidos, um deles valia R$ 400 mil.

Um dos chefes da organização morava no Espírito Santo. De lá, ele coordenava a contratação dos criminosos que iam transportar a droga até lá e a escolha dos mergulhadores para colocar a droga nos navios. No estado vizinho ao Rio, foram cumpridos quatro mandados de prisão, mas apenas duas pessoas foram presas.

Mergulhadores foram presos pela PF em Itaguaí. Os nomes deles e dos demais criminosos presos não foram revelados pelos policiais. De acordo com o portal G1, a quadrilha envolvia pouca gente, a fim de dificultar vazamentos do ato criminoso. A investigação contou também com o apoio da Capitania dos Portos.

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