Tragédia em Capitólio evidencia ecoturismo precário em novos destinos, em alta na pandemia

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As imagens rodaram o mundo: o desmoronamento de uma rocha em Capitólio, destino turístico em alta em Minas Gerais, matou 10 pessoas e expôs os riscos do ecoturismo em áreas recentemente descobertas pelos visitantes. A procura por locais remotos cresceu desde o início da pandemia de coronavírus – mas a maioria desses lugares ainda não é devidamente preparada para receber turismo de massa.

O monitoramento de riscos geológicos, que segundo os especialistas na área poderia ter evitado a tragédia em Minas, não é obrigatório no Brasil. Dessa forma, acidentes como o que ocorreu no lago de Furnas podem se repetir a qualquer momento, ressalta Tiago Antonelli, geólogo do Departamento de Gestão Territorial do Serviço Geológico Brasileiro, ligado ao Ministério de Minas e Energia.

"A gente não sabe quando pode acontecer a próxima, porque essas áreas não são monitoradas hoje em dia. Nós não conseguimos falar se o próximo bloco vai cair em um, 10 ou 100 anos”, observa. "Esse tipo de turismo no Brasil, mais geológico, rural, é mais recente. São locais que não têm estrutura como os parques do Mediterrâneo, os norte-americanos, que têm placas explicando até a formação geológica do local”, exemplifica.

“Quase todos” apresentam riscos

O Brasil “evoluiu muito” desde os anos 2010, afirma Antonelli. Vários dos destinos mais famosos, como Bonito (MS), Chapada dos Veadeiros (MG) e Cataratas do Iguaçu (PR) estão estruturados para evitar acidentes, mas outros que despontaram nos últimos anos, a exemplo de Jalapão (TO) e a própria Capitólio, ainda não profissionalizaram o turismo.


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