Tragédia em mina de jade ilegal em Mianmar deixa seis mortos e dezenas de desaparecidos

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Socorristas participam das buscas de sobreviventes após deslizamento de terra em uma mina de jade, em 22 de dezembro de 2021, em Hpakant, no norte de Mianmar (AFP/Handout)

As equipes de resgate que intervieram após um deslizamento de terra em uma mina ilegal de jade no norte da Birmânia interromperam as buscas, nesta sexta-feira (24), e divulgaram um balanço de seis mortos e dezenas de desaparecidos, provavelmente também falecidos.

Logo depois da tragédia, ocorrida na quarta-feira (22), perto de Hpakant, as autoridades disseram que pelo menos 70 pessoas foram arrastadas pela torrente de lama e pedras. Posteriormente, afirmaram que este número ainda não estava confirmado.

"Paramos nossa busca às 16h30, horário local, e, com os dois hoje, foram encontrados seis corpos ao todo", anunciou Ko Jack, da organização socorrista birmanesa.

Ele informou que suas equipes estavam encerrando as operações de mergulho e que, provavelmente, os desaparecidos estão soterrados. A encosta de uma colina, onde ficava a mina, foi arrastada para um lago por toneladas de terra e rochas.

Dezenas de pessoas morrem todos os anos no lucrativo e mal regulamentado comércio de jade. Em geral, são trabalhadores mal pagos procedentes de outras regiões de Mianmar que extraem estas pedras tão procuradas, especialmente na China.

Em 2020, as fortes chuvas de monções causaram o pior drama desse tipo, com 300 mineiros soterrados em deslizamento de terra, também no maciço de Hpakant. A região recebe mineiros de toda Mianmar.

Determinar quantas pessoas trabalhavam no local antes deste novo desastre é difícil, dizem os socorristas. As famílias têm resistência a relatar se seus entes queridos estavam na mina, enquanto os sobreviventes preferem não se identificar.

O jade e outros recursos naturais muito abundantes no norte da Birmânia, incluindo madeira, ouro e âmbar, financiaram ambos os lados de uma guerra civil de décadas, entre rebeldes Kachin e os militares.

O golpe de Estado de fevereiro passado eliminou qualquer possibilidade de reforma neste setor, a qual havia sido iniciada pelo governo de Aung San Suu Kyi - afirma a ONG de direitos humanos Global Witness, em relatório publicado este ano.

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