Tragédia ferroviária começa a ser julgada em Espanha nove anos depois

Nove anos depois, começa o julgamento de uma das piores tragédias ferroviárias em Espanha. Oitenta pessoas morreram e 145 ficaram feridas depois de um comboio Alvia, de alta velocidade, ter descarrilado contra um muro em direção a Santiago de Compostela.

Depois de uma longa fase de instrução que se deverá prolongar durante 4 meses, segue-se o julgamento em meados de fevereiro. Neste processo contam-se centenas de testemunhas, especialistas e sobreviventes e foi por isso que um centro cultural em Santiago de Compostela foi transformado em tribunal.

A acusação pede quatro anos de prisão e desqualificação profissional para os dois arguidos no banco dos réus: o antigo diretor de segurança da Adif, empresa de infraestruturas ferroviárias espanhola, Andrés Cortabitarte, e o maquinista do comboio, Francisco Garzón. Para além de um pedido de de indemnização à Renfe, Adif e seguradoras de, aproximadamente, 58 milhões de euros.

No processo julga-se o facto do comboio viajar a 179 km/h quando descarrilou, apesar do limite de velocidade no trecho em questão ser de 80 km/h, e o facto do maquinista do comboio estar ao telefone com o controlador imediatamente antes do acidente.

Além disso, o antigo chefe da Adif é acusado de não ter efetuado um estudo de risco sobre a curva em questão, que não tinha sistemas de sinalização, aviso e travagem automática.