Transcarioca vai desapropriar quase 500 imóveis em Olaria

RIO - A polêmica criada por desapropriações de imóveis em áreas residenciais para projetos de infraestrutura da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016 chegou a uma nova área da Zona Norte. A segunda fase do projeto do BRT Transcarioca (da Barra até o Aeroporto Internacional Tom Jobim), que deve começar em 30 dias, prevê a desapropriação parcial ou total de quase 500 imóveis, em ruas ocupadas principalmente por casas e prédios em Olaria. Desse total, quase 400 estão localizados numa só via: a Estrada Engenho da Pedra.

Pelo projeto da prefeitura, o BRT sairá da Penha e seguirá pela Estrada Engenho da Pedra para chegar à Avenida Brasil. Moradores da região, no entanto, fundaram uma entidade para acompanhar o projeto e reuniram mais de quatro mil assinaturas, reivindicando a alteração do traçado. Eles querem que o BRT siga pela Rua Uranos e chegue à Avenida Brasil por uma via, a ser aberta, paralela à Linha Amarela. A Associação Comercial e Empresarial de Ramos e Olaria, porém, defende o projeto apresentado pela prefeitura.

Moradores acreditam que o número de desapropriações totais possa ser maior do que o previsto, porque a Estrada Engenho da Pedra é muito estreita. O decreto do prefeito Eduardo Paes com a lista de imóveis a serem desapropriados foi divulgado em junho, antes da realização de estudos topográficos.

- O trecho da Rua Uranos que atravessa Olaria tem pelo menos 220 imóveis residenciais e comerciais abandonados (por causa da violência no passado), cuja demolição não causaria tanto impacto social. Não tem sentido desalojar milhares de moradores de uma área residencial - disse Marcos Saldanha, líder do movimento para alterar o traçado do Transcarioca.

Já o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Ramos e Olaria, Jorge Medeiros, argumenta que o traçado proposto pelos moradores provocaria mais congestionamentos no entorno da Linha Amarela:

- O percurso que a prefeitura propôs evita mais tráfego e causa menos transtornos para o bairro.

Sílvio Ferreira, proprietário de um colégio que será demolido, reforça o grupo dos descontentes:

- Esse traçado ajudará a esvaziar ainda mais o bairro.

O secretário municipal de Obras, Alexandre Pinto, afirma que o traçado previsto atende a critérios técnicos. Eles descartou a alteração pedida pelos moradores, porque, pela Rua Uranos, o BRT disputaria passageiros com os trens da SuperVia.

- A proposta do BRT é oferecer alternativas de transporte para a população. Na Rua Uranos, ele correria paralelo à linha férrea, competindo por passageiros - disse o secretário.

Ele também descarta a possibilidade de o número de desapropriações ser ainda maior.

- No trecho inicial do Transcarioca (Barra-Penha), prevíamos cerca de 3.600 desapropriações e vamos fechar em cerca de 2.050 - disse.

O secretário explicou que esse foi o traçado aprovado pelo BNDES, que está financiando a implantação do Transcarioca - o valor, R$ 1,2 bilhão, não inclui gastos com desapropriações. O projeto original do BRT iria apenas da Barra até a Penha.

- Qualquer eventual alteração teria que passar pela análise do BNDES. Isso implicaria rever custos e prazos de obras. E estamos trabalhando com um cronograma apertado, já que as obras devem terminar em dezembro de 2013 - acrescentou o secretário.

A segunda fase das obras do Transcarioca, entre a Penha e o Aeroporto Tom Jobim, já foram licitadas. Nessa etapa estão previstos gastos de R$ 542,7 milhões. Na terça-feira, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) fez uma consulta pública sobre o projeto, a última fase antes da concessão da licença ambiental.

Ainda em fase de projeto, o BRT Transolímpico, que ligará a Barra da Tijuca a Deodoro, prevê a demolição de centenas de imóveis. Na relação de casas condenadas, está um condomínio de luxo na Taquara, em Jacarepaguá.

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