Transgêneros participam pela primeira vez no festival indiano Kumbh Mela

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Transgêneros se banham na confluência das águas do Ganges e do Yamuna, em Allahabad, durante o festival Kumbh Mela, em 15 de janeiro de 2019

Por quatro décadas, Laxmi Narayan Tripathi lutou contra as conservadoras leis indianas. Agora, ela e dezenas de outros transgêneros puderam se banhar como um coletivo nas águas sagradas do norte da Índia durante o festival religioso do Kumbh Mela.

Abluções que marcam uma nova etapa em sua luta pelos direitos dos transgêneros (hijras na Índia), estimados em dois milhões de pessoas no país.

Sua organização religiosa, Kinnar Akahara, participa pela primeira vez como um grupo nesta peregrinação em Allahabad (Uttar Pradesh) que reunirá dezenas de milhões de pessoas até o seu encerramento em 4 de março.

Vestidos com mantos cor açafrão e saris vermelhos, os hijras mergulharam na confluência das águas dos rios Ganges e Yamuna em meio a uma nuvem de ascetas cantando hinos religiosos.

Segundo a religião hindu, a imersão nessas águas purifica os pecados.

"Para nós, essa participação significa que a sociedade nos aceita. O criador está em nós e quando morrermos voltaremos a ele. Nossas portas estão abertas a todos", declarou Laxmi Narayan Tripathi a repórteres na semana passada.

Os hijras tendem a viver marginalizados. Muitos são forçados a se prostituírem, mendigar ou realizar trabalhos precários.

Durante séculos, as hijras ocuparam um lugar particular na vida dos indianos, que sentiam por eles um certo respeito misturado ao medo.

Os indianos recorriam a eles, por exemplo, para comemorar os nascimentos.

A Suprema Corte da Índia oficialmente os reconheceu como terceiro gênero em um veredicto histórico em 2014.

O mesmo tribunal descriminalizou a homossexualidade no ano passado.

O Kinnar Akahara, dirigido por Laxmi Narayan Tripathi, de 40 anos, não é reconhecido pelos outros grupos tradicionais e participa da cerimônia por conta própria.

O objetivo é "mostrar o caminho certo para a próxima geração e garantir que não tenha que enfrentar o estigma e a discriminação que tivemos de enfrentar", disse Pavitra Nimbhorker, líder do grupo, à AFP.

Cerca de 100 milhões de hindus, de acordo com os organizadores, participarão do Kumbh Mela, um festival incluído em 2017 pela UNESCO na lista de patrimônios culturais imateriais.