Transição incerta na Irlanda do Norte após renúncia da primeira-ministra

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Arlene Foster deixou formalmente o cargo de primeira-ministra da Irlanda do Norte

A primeira-ministra da Irlanda do Norte, Arlene Foster, deixou o cargo nesta segunda-feira (14) e abriu o caminho para uma transição incerta nesta região onde as divergências entre unionistas e republicanos, que compartilham o poder, se unem às tensões pelo Brexit.

Duramente criticada por sua impotência diante da introdução de controles alfandegários com o resto do Reino Unido devido ao Brexit, Foster anunciou em abril sua renúncia como líder do partido unionista DUP e chefe do Governo regional autônomo.

Seu partido ultraconservador nomeou uma nova direção e Foster abandonou formalmente o cargo nesta segunda-feira com um discurso no Parlamento norte-irlandês, no qual fez um alerta sobre os efeitos dos dispositivos estabelecidos no acordo entre Londres e Bruxelas sob o denominado "protocolo da Irlanda do Norte".

As medidas evitam o retorno de uma fronteira com a vizinha República da Irlanda - país membro da UE -, inaceitável para os republicanos norte-irlandeses, mas impõem controles alfandegários com a ilha da Grã-Bretanha, que os unionistas denunciam como uma separação administrativa do restante do país.

"Se Bruxelas continua pensando que o protocolo é suficiente, está negando a realidade", disse Foster.

"O desequilíbrio e a instabilidade no contexto da Irlanda do Norte é um coquetel verdadeiramente perigoso, a Irlanda do Norte é parte do Reino Unido e deve ser tratada como tal", advertiu.

O governo do primeiro-ministro britânico Boris Johnson deseja reverter algumas medidas diante do risco de novos distúrbios, mas os europeus o acusam de não cumprir com a palavra.

Neste contexto, a sucessão de Foster deve ser delicada.

O DUP dirige o Executivo regional ao lado do partido republicano Sinn Fein, com base no acordo de paz da Sexta-Feira Santa de 1998, que acabou com três décadas de conflito violento entre republicanos católicos e unionistas protestantes.

Paul Givan, de 39 anos, partidário de uma linha unionista dura, teve o nome sugerido na semana passada pelo DUP como sucessor, mas o Sinn Fein ameaça bloquear o processo.

Se o partido republicano não voltar a nomear a vice-primeira-ministra Michelle O'Neill para seu cargo, um Executivo não poderá ser formado.

O governo britânico teria então que convocar eleições regionais antecipadas.

O Sinn Fein acusa o DUP de opor-se a uma lei que conceda ao irlandês o mesmo status que atribui ao inglês na região.

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