Transição pede que Petrobras suspenda decisões 'estratégicas', como venda de ativos

BRASÍLIA — Na primeira reunião dos coordenadores do grupo de trabalho de Minas e Energia no governo de transição com o ministro da área, Adolfo Sachsida, a equipe do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pediu a atual gestão para suspender decisões "estruturantes" e "estratégicas" da Petrobras, entre elas a venda de ativos.

O senador Jean Paul Prates (PT-RN), integrante do grupo e cotado para assumir a Petrobras, disse que Sachsida já se comprometeu a não tomar decisões estratégicas com relação ao próprio ministério. Mas o governo de transição quer que isso seja estendido à Petrobras.

— Ele (o ministro) vai nos colocar em contato institucionalmente com a Petrobras e nós vamos conversar o quanto antes. Como a Petrobras está no âmbito do Ministério de Minas e Energia, deveria haver a suspensão desses processos em função do acelerado que é um final de governo — disse o senador. — Eu estou me referindo à venda de ativos que ainda estão em curso, essas que teriam começado agora.

Segundo Prates, Sachsida lembrou que a Petrobras tem processos próprios. Por isso, a transição deve pedir a suspensão das decisões também à própria estatal. Entre os processos de venda, estão a TBG (o gasoduto Brasil-Bolívia) e refinarias.

— Nós nos manifestamos várias vezes, o presidente Lula também, contra a venda de ativos dessa forma que está sendo feita. Não quer dizer necessariamente que não haja venda de ativos no futuro. Mas essa é uma reavaliação que caberá à nova gestão — disse. — Agora, ele mesmo fez a ressalva de que a Petrobras tem procedimentos específicos e vamos procurar trabalhar nesses parâmetros.