Transição terá Alexandre Frota e aliados de Paes e Castro

A cerca de 40 dias até a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foram anunciados novos 74 nomes para a equipe de transição de governo, composto por deputados e senadores. Entre eles, está o deputado federal Alexandre Frota (Pros-SP), eleito na onda anti-política em 2018 e que mudou sua postura em relação a Lula durante seu mandato. Também foram divulgados dez novos nomes do Rio, grupo que inclui ex-secretários do prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) e até aliado do governador Cláudio Castro (PL), correligionário de Jair Bolsonaro.

Crítico de Lula e entusiasta da Operação Lava-Jato, que chegou a prender o petista, Frota chegou à Câmara filiado ao PSL e com discurso anticorrupção e na onda antipetista do pleito de 2018. Naquele momento, ele foi um dos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, o que mudou ao longo do atual governo, assim como sua postura: o deputado passou a fazer oposição a Bolsonaro, disse que devia “desculpas” a Lula e chegou a fazer campanha para o presidente eleito neste ano.

O novo rumo lhe rendeu uma das vagas no grupo temático da Cultura, onde também estão alocados parlamentares eleitos pelo Rio. A ex-governadora e deputada eleita Benedita da Silva (PT), e a deputada Jandira Feghali (PCdoB), reeleita para seu terceiro mandato, também integram o grupo. Completam a lista o deputado pernambucano Túlio Gadelha (Rede) e o ex-ministro Marcelo Calero (PSD-RJ), que ocupou a Esplanada durante o governo de Michel Temer (MDB) e hoje é secretário de Governo do prefeito Eduardo Paes.

A aliança de Paes com Lula, intensificada no segundo turno das eleições com diversos comícios organizados na capital carioca, rendeu vaga também para outro nome forte de Paes: o deputado Pedro Paulo (PSD), secretário de Fazenda da Prefeitura, anunciado para a equipe de Planejamento.

O deputado federal Áureo Ribeiro (Solidariedade-RJ) também ganhou função, e vai integrar o grupo de Comunicações. Peça importante na investida feita por Lula no segundo turno no estado do Rio, e ligado ao eleitorado evangélico e da Baixada Fluminense, Ribeiro é também aliado do governador Cláudio Castro (PL). A irmã do parlamentar, Danielle Ribeiro Barros, é a secretária de Cultura do governo do Rio, e Ribeiro foi um dos articuladores do voto Castro-Lula entre os fluminenses, apesar de o governador ter pedido voto oficialmente para Bolsonaro.

Já o deputado Alessandro Molon, presidente do PSB no Rio e que não conseguiu se eleger para o Senado neste ano, ficará no grupo temático de Meio Ambiente. Apesar de ter feito campanha para Lula ao Planalto desde o início das eleições, ele teve atritos com PT do Rio ao decidir não retirar sua candidatura em prol de André Ceciliano, nome petista que também se candidatou a senador e não se elegeu.

Outro petistas do estado também foram anunciados para a transição: o ex-prefeito de Maricá, vice-presidente nacional do PT e deputado eleito, Washington Quaquá, vai integrar o grupo de Desenvolvimento Social; já o ex-prefeito Lindbergh Farias, que estará de volta à Câmara, vai compor o Centro de governo. A parlamentar reeleita Taliria Petrone (PSOL-RJ), terceira mais votada do estado, estará na equipe de Igualdade Racial.