Transmissão comunitária de mutação do coronavírus mantém toda a cidade do Rio com restrições para áreas de risco alto

Rodrigo de Souza
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A sétima edição do boletim epidemiológico semanal sobre a Covid-19, divulgada nesta sexta-feira (19) pela Prefeitura do Rio, mostrou que 27 regiões administrativas da cidade regrediram para a classificação de risco moderado de contágio, enquanto seis permaneceram com risco alto. Apesar da melhora, todo o município terá que continuar cumprindo as medidas restritivas estabelecidas para as áreas de risco alto, devido à confirmação de que já há transmissão comunitária na capital das cepas do novo coronavírus identificadas inicialmente em Manaus (P1) e no Reino Unido (B.1.1.7).

— Para não correr risco, vamos manter as medidas restritivas e a situação em risco alto — afirmou o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz.

As regiões administrativas (RAs) de Copacabana/Leme, Lagoa/Leblon, Rocinha, Tijuca, Vila Isabel e Barra da Tijuca estão no topo das áreas mais perigosas para o contágio, enquanto o restante da capital recuou para o estágio considerado moderado, depois de três semanas em que toda a cidade foi classificada como risco alto. Desde o primeiro boletim, divulgado no dia 8 de janeiro, nenhuma área atingiu o último nível, o de risco muito alto. O prefeito Eduardo Paes (DEM) fez críticas a moradores de áreas nobres da cidade que descumprem as regras sanitárias em meio à pandemia:

— Reparem que são as áreas mais ricas da cidade que estão com risco alto. Esse quadro é uma demonstração de que há setores da cidade agindo com enorme irresponsabilidade. O sujeito que pega a porcaria do BRT lotado, o trem, está em risco moderado. Se todas as pessoas saudáveis do Rio, que vivem nas áreas nobres da cidade, continuarem a agir como se a vida fosse uma festa, elas vão infectar alguém com comorbidade em casa. Não é admissível essa irresponsabilidade — disse o prefeito, que, por enquanto, ainda descarta medidas mais drásticas, como o lockdown. — Não quero que seja necessário fechar para que as pessoas aprendam.

As seis regiões administrativas se mantêm no quadro crítico há quatro semanas. Em quase todas, são flagrantes as aglomerações, os “points” mais conhecidos são a Rua Dias Ferreira, no Leblon, e a Avenida Olegário Maciel, na Barra, comumente ocupadas por multidões em feriados e fins de semana. Vila Isabel é uma das que mais chamam atenção pela alta taxa de mortalidade nas últimas duas semanas. Os bairros que integram a mesma RA tiveram, juntos, 16 mortes por 100 mil habitantes, a maior taxa das seis regiões e a terceira maior da cidade.

Técnicos da prefeitura se valem de alguns indicadores importantes, como total de casos e de óbitos de cada região, para elaborar o mapa de risco para a Covid-19. O trabalho será fundamental inclusive para orientar um futuro processo de flexibilização e vai definir quais escolas poderão oferecer aulas presenciais, que serão retomadas na próxima quarta-feira, dia 24.