Transmissão do coronavírus só terá queda 'profunda' em setembro, diz Mandetta

Daniel Gullino, Gustavo Maia e Leandro Prazeres

BRASÍLIA — O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou nesta sexta-feira que a transmissão do novo coronavírus continuará a crescer até maio e junho, e só terá uma "queda brusca" a partir de setembro. De acordo com Mandetta, essa queda será similar à que está sendo vivenciada no momento da China, onde o vírus surgiu.

— A gente imagina que ela vai pegar velocidade e subir na próxima semana ou 10 dias. A gente deve entrar em abril e iniciar a subida rápida. Essa subida rápida vai durar o mês de abril, o mês de maio e o mês de junho, quando ela vai começar a ter uma tendência de desaceleração de subida. No mês de julho ela deve começar o platô. Em agosto, esse platô via começar a mostrar tendência de queda. E a queda em setembro é uma queda profunda, tal qual foi a queda de março na China — explicou o ministro, durante uma reunião com empresários, realizada por videoconferência.

Mandetta ainda disse que o sistema de saúde brasileiro deve entrar em "colapso" em abril, explicando que o termo se refere a uma situação onde não é possível conseguir atendimento médico — esse seria o cenário atual da Itália, que superou a China em número de mortos.

— Claramente no final de abril nosso sistema entra em colapso. O que é um colapso? Às vezes as pessoas confundem colapso com sistemas caóticas, com sistemas críticos, aonde você vê aquelas cenas, pessoas nas macas. O colapso é quando você pode ter o dinheiro, você pode ter o plano de saúde, pode ter a ordem judicial, mas simplesmente não há um sistema para você entrar. É o que está vivenciando a Itália, um dos países de primeiro mundo, atualmente, não tem aonde entrar.

No final da reunião, no entanto, o ministro adotou outro discurso, afirmando que não haverá colapso:

— Teremos problema? Teremos. Sei que teremos. Aqueles que eventualmente aplaudem hoje vão jogar pedra daqui a um mês, dois meses. Mas nós não vamos deixar ninguém para trás e vamos trabalhar muito duro. Talvez no final a gente saia muito orgulhoso do nosso SUS. Nós vamos ter estresse, mas vamos passar por essa sem colapso.

Mais tarde, em uma entrevista coletiva no Palácio do Planalto, Mandetta foi questionado sobre a declaração anterior e disse que o "colapso" é apenas um cenário que pode ser evitado:

— É um cenário. Nós podemos ter vários graus de problemas, vamos monitorá-los diuturnamente e trabalhar com todos, com secretários municipais, estaduais, médicos, todo o pessoal de saúde, para que não tenhamos um colapso