Transplante inédito de traqueia é feito em mulher de 56 anos nos EUA

O Globo
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NOVA YORK — Médicos do hospital Mount Sinai, em Nova York, nos Estados Unidos, anunciaram na terça-feira que realizaram o primeiro transplante completo de traqueia bem-sucedido do mundo. A paciente, Sonia Sein, de 56 anos, precisou ser submetida a cirurgia em janeiro porque sofreu lesões no órgão em 2014, quando teve que usar um respirador após um forte ataque de asma. Para o médico Eric Genden, responsável pelo procedimento, o feito traz nova esperança a pessoas que sofreram danos por queimaduras, doenças congênitas e longa permanência em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), como é o caso de pacientes graves com Covid-19.

A cirurgia durou 18 horas e teve a participação de 50 profissionais. Sonia realizou diversos procedimentos ao longo dos anos na tentativa de resolver o problema, mas o quadro apenas piorou. Segundo Eric Genden, por muito tempo se acreditou que o transplante seria impossível, dada a complexidade da ligação entre laringe e pulmões, que é essencial para a fala, respiração e função pulmonar.

A equipe médica acompanha Sonia de perto e celebra o fato de ela estar se adaptando bem ao transplante.

— Ela realmente se saiu incrivelmente bem, francamente, melhor do que jamais pensamos que ela faria. O que é realmente interessante é que as células dela estão crescendo na traqueia do doador. Portanto, a traqueia do doador está lentamente se tornando sua — disse Genden em entrevista à emissora CNN.

Sonia já tem autorização para comer e consegue respirar normalmente. Ela ainda tem um orifício na garganta, pelo qual os médicos inserem uma sonda para fazer exames, que poderá ser fechado em breve. A assistente social aposentada diz que se sentiu "no paraíso" após a cirurgia.

— Para mim, parecia que logo depois, eu era capaz de respirar. Quando respirei pela primeira vez, foi o paraíso — celebra.