Transplantes de pulmão podem salvar sobreviventes de Covid-19 com sequelas irreversíveis

com agências internacionais
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RIO — Médicos em diferentes países têm realizado transplantes de pulmão em sobreviventes da Covid-19 que ficaram com danos pulmonares irreversíveis. Nesse cenário, um grupo internacional de especialistas em transplantes propôs diretrizes para a seleção de pacientes elegíveis.

De acordo com os cientistas, para se qualificar para um transplante, os sobreviventes da Covid-19 com insuficiência pulmonar completa devem ter menos de 65 anos, não ser fumantes e não ter condições médicas pré-existentes ou, pelo menos, condições controláveis.

Os especialistas disseram que os transplantes devem ser realizados pelo menos quatro semanas após o diagnóstico de lesão pulmonar irreversível.

Só nos Estados Unidos, mais de 50 transplantes pulmonares duplos foram realizados em pessoas que tiveram a Covid-19, e todos os pacientes estão vivos, disse Ankit Bharat da Northwestern Medicine em Chicago, que realizou uma dúzia dessas cirurgias.

Estudo publicado no The Lancet Respiratory Medicine que examinou 12 dos primeiros transplantes de pulmão duplo realizados em pacientes que tiveram Covid-19 nos Estados Unidos, Itália, Áustria e Índia mostrou dez sobreviveram e estão bem.

"É um resultado realmente notável, dado o quão gravemente doentes esses pacientes estavam", disse Bharat. “Sem possibilidade de transplante, a equipe médica e as famílias estavam prontas para retirar o atendimento.”

No entanto, o procedimento de transplante pulmonar foi tecnicamente desafiador, segundo o estudo. Os pulmões retirados tinham lesões agudas extensas e contínuas, com características de fibrose pulmonar.

"Os achados mostram que o transplante de pulmão é a única opção de sobrevivência em alguns pacientes com insuficiência pulmonar associada à Covid-19 grave e sem resolução, e que o procedimento pode ser realizado com sucesso", afirma o estudo.