Tratamento dos talibãs às mulheres pode constituir crime contra a humanidade

O tratamento dado pelo regime talibã a mulheres e meninas no Afeganistão pode ser considerado perseguição por gênero e, portanto, constituir um crime contra a humanidade, disseram especialistas da ONU nesta sexta-feira (25).

"Nos últimos meses, as violações das liberdades e direitos fundamentais das mulheres e meninas no Afeganistão, que são as mais graves e inaceitáveis do mundo, aumentaram acentuadamente", consideram esses especialistas independentes, que são comissionados pela ONU, mas não falam em nome da organização.

Essas restrições recentes, como a proibição de frequentar parques em Cabul, bem como medidas discriminatórias anteriores, "devem ser investigadas como perseguição baseada em gênero (considerada um crime contra a humanidade) para serem processadas sob o direito internacional", enfatizou Richard Bennett, relator especial sobre a situação dos direitos humanos no Afeganistão.

Bennet também se associou a membros do grupo de trabalho contra a discriminação contra mulheres e meninas. Eles pedem ao Talibã, que retornou ao poder em agosto de 2021, que respeite os compromissos do Afeganistão com os direitos humanos.

Por outro lado, o Alto Comissariado para os Direitos Humanos pediu que a flagelação, "uma forma abjeta de punição, cesse imediatamente".

Quatorze pessoas, três mulheres e onze homens, foram açoitadas na quarta-feira por ordem de um tribunal afegão depois de serem consideradas culpadas de "crimes morais" e roubo, disse uma autoridade provincial.

O Talibã impôs uma interpretação muito rigorosa do Islã e introduziu progressivamente regras mais rígidas.

As escolas de ensino médio para meninas foram fechadas. As funcionárias são excluídas da maioria dos empregos públicos.

As mulheres também não podem viajar sozinhas para fora da cidade, devem cobrir-se com um véu completo e não podem frequentar parques, jardins, academias ou banheiros públicos.

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