OMS adverte que tabaco gera milhares de resíduos tóxicos

Isabel Saco

Genebra, 30 mai (EFE).- O consumo de tabaco provoca não só as conhecidas consequências nefastas sobre a saúde das pessoas, mas também tem um impacto catastrófico no meio ambiente pelos componentes tóxicos presentes nos resíduos do cigarro.

Na véspera do Dia Mundial contra o Tabaco, a Organização Mundial da Saúde (OMS) apresentou seu último relatório anual sobre o uso deste produto, centrado no grave impacto que tem sobre o meio ambiente.

As cifras mais recentes indicam que, apesar dos esforços internacionais para diminuir o consumo de tabaco, este provoca a morte de 7 milhões de pessoas ao ano e gera despesas de US$ 1,4 trilhão no mesmo período, pelos custos em saúde, perda de produtividade e degradação meio ambiental.

A OMS quis evidenciar neste ano o que ocorre depois que o cigarro foi consumido, onde vai parar a bituca e como os seus efeitos funestos persistem inclusive após ter sido lançado em um cesto de lixo ou na via pública.

"Esta análise é a primeira que relaciona o impacto meio ambiental com o cultivo, manufatura, uso e resíduos do tabaco, apesar de a informação ser limitada porque a indústria não reporta dados e os governos não os exigem", disse o coordenador da OMS para o Controle de Tabaco, Vinayak Prased.

Os especialistas determinaram que os resíduos de tabaco contêm mais de 7 mil substâncias químicas tóxicas que envenenam não só atmosfera, mas também os solos, mares e os rios.

Tomados de maneira individual, são o tipo de lixo mais comum nas ruas, já que dados revelam que 10 bilhões de cigarros - dos 15 bilhões que são vendidos diariamente - terminam no meio ambiente, com a mistura de nicotina, arsênico e metais pesados.

Com dois terços dos cigarros lançados no solo, entre 340 e 680 milhões de quilos de resíduos de tabaco são gerados a cada ano.

Nas áreas urbanas e litorâneas, representam de 30% a 40% de todos os resíduos que são recolhidos.

Mas não só o resíduo do cigarro se transformou em uma dor de cabeça para os serviços de limpeza municipal, mas também os plásticos e os maços de cigarros.

Outra forma de contaminação devido ao tabaco são as emissões de fumo, que representam toneladas de gases cancerígenos, tóxicos e de efeito estufa.

O tabaco gera efeitos perniciosos para o meio ambiente desde o cultivo da folha de tabaco, que requer o uso de agroquímicos, reguladores de crescimento e novas substâncias, e que contribui para o desflorestamento, alerta a OMS.

A organização também evidencia a maneira na qual o tabaco contribui para o empobrecimento do fumante, da sua família e dos países, sendo um fator que aumenta a desigualdade.

"Muitos estudos mostram que nos lares mais pobres, a despesa em produtos de tabaco pode representar mais de 10% do investimento familiar, o que significa menos dinheiro para comida, educação e atendimento médico", disse Prased.

Para os governos, também acarreta em despesas colossais em termos de saúde, que são estimados em US$ 56,3 por pessoa ao ano.

"A metade de todos os fumantes morrem por doenças relacionadas com o tabaco e estima-se que, em 2030, 80% da mortalidade por doenças não transmissíveis vinculadas ao tabagismo ocorrerão nos países de investimentos médios e baixos", advertiu o especialista da Secretaria da Convenção Marco para o Controle do Tabaco, Andrew Black.

As despesas totais ligadas ao tabaco são dez vezes maiores que o que o mundo gasta em ajuda humanitária ou de emergência; e 40% do que em 2012 gastavam os governos de todo o mundo em educação.

Para a OMS, a solução passa por reduzir o consumo do tabaco através de uma medida central que depende dos governos: aumentar os preços e os impostos sobre o tabaco. EFE