Trauma de 2016 é o grande entrave para aliança Lula-Alckmin

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Opposition presidential candidate Geraldo Alckmin (L) shakes hands with Brazil's President Luiz Inacio Lula da Silva, candidate for re-election, before a television debate in the Globo TV studio in Rio de Janeiro October 27, 2006.  REUTERS/Sergio Moraes (BRAZIL)
Geraldo Alckmin e Lula durante debate dos candidatos a presidente em 2006. Foto: Sergio Moraes/Reuters

Em diversos países, a estratégia encontrada pela oposição para barrar governos e plataformas políticas de pendores autoritários foi deixar rusgas novas e antigas de lado em nome do enfrentamento contra o “mal maior”.

É o que na língua portuguesa estão chamando de frente ampla, um bicho que todo mundo quer e nunca ninguém viu.

Favorito para a sucessão do ano que vem, o ex-presidente Lula sabe que a escolha do candidato a vice é um ponto estratégico. Foi assim com José Alencar na campanha vitoriosa de 2002. A presença do empresário na chapa petista serviu para acalmar o mercado e mostrar o que o futuro governo seria de fato: um governo de conciliação entre patrões e empregados.

Em 2018, Geraldo Alckmin era o candidato favorito de 9 entre 10 empresários com algum projeto de longo prazo para além do predatismo representado por Jair Bolsonaro. A demandada aconteceu ao longo da campanha, quando o tucano dava mostras de que não conseguiria tirar o ex-deputado brigão do páreo. Deu no que deu.

De saída do PSDB, Alckmin é hoje cortejado por Lula. Dias atrás, saiu a notícia de que uma possível chapa entre os dois adversários da distante eleição de 2006 estava em pauta. Nenhum dos dois desmentiu. Pelo contrário.

Lula deixou correr que Alckmin é um dos poucos tucanos que gosta de pobre. Disse também que nutre um “profundo respeito” pelo ex-rival.

Alckmin, mais lacônico, disse que qualquer conversa precisa de amadurecimento. Negar também não negou.

As conversas seriam impensáveis há pouquíssimo tempo. Hoje não mais. Primeiro porque Alckmin é um ex-tucano em atividade. Permanece no PSDB apenas para tentar derrotar o desafeto João Doria nas prévias do partido. De lá, deve seguir para outra legenda que já serviu à base dos governos petistas, como PSD ou PSB. Seria metade do caminho para firmar a possível aliança e juntar as metades.

Lula tem os votos, mas não tem a confiança do mercado.

Alckmin (ainda) tem moral com o PIB, mas não tem o carisma nem os votos do petista fora de São Paulo.

Aparadas as arestas, seria o casamento perfeito, não?

Mais ou menos.

A dobradinha é uma aposta de risco para o ex-governador. Hoje ele é favorito para voltar a governar o estado de São Paulo. Verdade que ele sempre sonhou em ser presidente, mas faltou combinar com os eleitores. Das duas vezes que tentou, não conseguiu levantar voo para além de seu reduto.

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Do lado petista, está ainda fresco na memória o trauma do impeachment de Dilma Rousseff. 

Diferentemente de José Alencar, um empresário sem grandes pretensões políticas, Michel Temer, vice da petista, tinha casca, ambição e plano para chegar lá. Foi peça-chave nas articulações que derrubaram a então presidenta. E deixou como lição os perigos de se colocar na linha sucessória um político de peso como ele.

Diante do trauma, o PT alimenta agora o receio de que o Temer de ontem seja o Alckmin de amanhã. E que ele se torne a alternativa viável do empresariado caso Lula se afaste demais da linha que separa o centro de equilíbrio do establishment das mudanças de fato, que pedem radicalidade na abordagem e na ação.

Essa preocupação mostra que, diferentemente dos países que conseguiram unir forças para debelar projetos autoritários, por aqui as feridas ainda estão expostas e atravancam um eventual projeto de reconciliação, o primeiro passo para a formação de, se não uma frente ampla, uma abordagem para além do próprio nicho para garantir o apoio majoritário da população.

Ganha quem conseguir andar unido. Para sorte dos opositores, a base bolsonarista segue também bem longe disso, como mostra a rusga recente do presidente com seu, por enquanto, ex-futuro partido, o PL.

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