Traumas de cachorros maltratados em rinha podem ser reversíveis, diz especialista

Cães da raça pitbull foram apreendidos no local e estavam bastante machucados - Foto: Divulgação/SSP-SP

Os maus-tratos a animais voltaram a ser uma pauta nacional depois que a Polícia Civil de São Paulo desarticulou um evento de lutas clandestinas de cães em Mairiporã, na região metropolitana de São Paulo. Dezoito cachorros da raça pitbull, quase todos gravemente feridos, foram resgatados e agora estão sob cuidados tentando se recuperar.

De acordo com a Polícia, os animais estavam sem alimentação e expostos à chuva. Apesar de serem submetidos a diversas mazelas, é possível que os cães sobreviventes se recuperem e consigam viver uma vida saudável. “Os traumas podem ser reversíveis. Tudo depende do trabalho e da análise dos profissionais que trabalharão com esses animais. Às vezes, até um eventual dono, de forma leiga, consegue recuperar o animal, pelo fato dele ser essencialmente bom”, garante Erika Medeiros, co-fundadora do Matilhando, órgão especializado em psicologia canina.

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Erika ressalta que só a retirada dos animais do local onde eram machucados já é um grande avanço. “O cachorro aprende por associação e por ambiente. Quando você leva o cachorro a uma condição extrema de violência, você cria um trauma. É preciso ensinar novamente a vida para o animal. Deixar de ferir o bem estar dele".

Por questão de estereótipos, os pitbulls são os animais mais frequentes em eventos de rinha e lutas clandestinas, mas isso não quer dizer de forma alguma que eles são mais agressivos do que outras raças de cachorro. “Não há diferença entre as raças. Existem apenas individualidades dentro da raça. Não é exatamente porque é um pitbull que ele vai ser um cachorro agressivos. Eles têm um enorme potencial de ser dóceis, vai da forma como a pessoa que adotar lidar com o animal”, explica Erika.

Erika diz que os animais feridos na rinha de Mairiporã, de acordo com relatos de quem tem cuidado dos animais, “era bons, mas foram construídos tecnicamente para fazer o que eles fazem”.

Diante da repercussão da rinha, Erika conclamou seguidores a compartilhar fotos de seus cachorros para que demonstrem como os cachorros, no geral, são dóceis e amorosas. O pedido deu certo e o Matilhando recebeu mais de 300 fotos de animais.