TRE do Amapá diz que adiamento da eleição na capital do estado ocorreu por baixo efetivo da PM

Isabella Macedo
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Ulisses Campbell
Ulisses Campbell

BRASÍLIA — O presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP), Rommel Araújo, afirmou nesta quinta-feira que o adiamento das eleições em Macapá foi tomada após a Polícia Militar (PM) do estado informar que seu efetivo havia passado por uma baixa devido à Covid-19.

Segundo ele, haveria condições de realizar as eleições em todo o estado no próximo domingo, dia 15, apesar do apagão que já dura mais de uma semana na maior parte do Amapá. Entretanto, a comunicação da PM afirmou que precisaria de apoio na capital.

— Ocorre que, posteriormente, nós recebemos mais informações. Primeiro tivemos um fato que fugia ao nosso controle, que era a comunicação da Polícia Militar do estado do Amapá, que é a responsável pela segurança dos locais de votação em todos os pleitos, comunicou que houve uma baixa muito grande de policiais decorrente da Covid-19. Com isso, um número expressivo de policiais não poderia estar mais participando das eleições no dia 15 — disse Rommel Araújo em entrevista coletiva.

Ainda de acordo com o presidente do TRE-AP, facções criminosas se aproveitaram das manifestações de moradores da capital amapaense levar instabilidade.

— Aliado a isso, nós tivemos uma série de movimentos. Alguns movimentos legítimos de insatisfação da população, mas outros com aproveitamento de facções criminosas no sentido de causar uma instabilidade no meio social perto de um pleito.

Moradores de 13 dos 16 municípios do Amapá estão sem serviços básicos há mais de uma semana, mas a previsão é de que a situação seja normalizada “até a próxima segunda-feira”, afirmou o Ministério de Minas e Energia na terça-feira. Mesmo com a chegada de geradores, até agora a energia não foi totalmente restabelecida. A luz chega a 80% do estado, mas num regime de rodízio, pelo qual os moradores recebem energia por algumas horas.

O sistema tem falhado, aumentando os transtornos para a população e motivando cada vez mais protestos. Em alguns bairros, moradores incendiaram barricadas. Ontem, houve manifestação em frente à sede do governo estadual e uma cabine policial foi depredada.

Rommel Araújo disse ainda que com a redução de policiais que poderiam garantir a segurança da eleição e o que classificou como “ânimos mais acirrados” em conjuntos mais populosos, as agências de inteligência das polícias e do Exército demonstraram preocupação.

— Com a diminuição do número de policiais militares que iriam dar segurança às urnas com alguns movimentos de queima de pneus em vias públicas e de ânimos mais acirrados em alguns conjuntos populacionais com grande volume de moradores, isso tudo fez com que a atenção das agências de informação do país também se voltassem para um caráter preventivo para nos trazer informação a respeito da situação de como estava realmente Macapá — disse, acrescentando:

— As agências de inteligência, a Abin, os setores de inteligência do Exército, da Polícia Rodoviária Federal, todos estiveram em reunião com a presença da Procuradoria Regional Eleitoral e nos passaram a informação de que a realização das eleições em Macapá diante disso colocaria em risco a integridade física do eleitor.

Segundo o presidente do TRE, o adiamento se deu apenas na capital pela logística de deslocamento de efetivo de policiais. Araújo explicou que ao realizar as eleições nas cidades interioranas do estado, que têm apenas um turno, poderia trazer o policiamento dessas cidades para Macapá na nova data, ainda a ser definida.

Araújo ainda leu um ofício do coronel da PM encaminhado à corte eleitoral do estado, afirmando que necessitaria de pelo menos mais 100 efetivos da Força Nacional de Segurança Pública, que não poderiam ser deslocados imediatamente para a cidade. O efetivo do Exército, segundo ele, também não poderia atender a necessidade de reforço.

— O efetivo do Exército que nós temos hoje aqui no estado do Amapá não seria suficiente. E o próprio coronel do Exército que esteve conosco em uma reunião conosco disse que nós teríamos que trazer um efetivo do Amazonas e que, por força de deslocamento através de avião da FAB, nem sempre é possível esse deslocamento ser feito assim. É necessário todo um planejamento e esse planejamento poderia não dar certo para chegar aviões aqui e a população continuaria vulnerável.