TRE não vê 'misoginia' em propaganda de Paes e nega direito de resposta a Martha Rocha

ITALO NOGUEIRA
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RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro negou direito de resposta à deputada Martha Rocha (PDT) em razão de propaganda do ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) em que o Ministério Público viu sinais de misoginia. Os desembargadores entenderam por unanimidade que a referência ao fato do namorado da candidata do PDT ter sido preso com dinheiro de bicheiros se configura um caso de crítica cabível na disputa política. A corte, composta por sete homens, analisou trecho do vídeo que diz: "Delegado preso com mala cheia de dólares dos bicheiros namorava Martha Rocha na época". Além de namorado, o delegado era chefe de gabinete numa diretoria da Polícia Civil. A pedetista também recorria da decisão da juíza Luciana Mocco, que já havia negado o direito de resposta. Para a procuradora eleitoral, Silvana Batini, a peça apresenta sinais de violência de gênero. "A mensagem começa por denegrir a imagem da recorrente, não por conta da qualidade de sua gestão como chefe de polícia, deputada, ou mulher pública em geral, mas porque supostamente namorava um delegado corrupto. Para se entender o caráter abusivo da afirmação, é preciso estar consciente de que vivemos no Brasil, um ambiente de tolerância com a violência política de gênero, pela qual a mulher pública está sempre exposta e vulnerável no seu aspecto íntimo", escreveu Batini. A campanha de Paes afirmou, em nota, que "a acusação de misoginia visa desviar o foco para fato verídico do passado da candidata". "Ela não soube escolher seu chefe de gabinete, que também era seu namorado, portanto natural que receba críticas por não montar sua equipe com os melhores quadros. A tentativa de se vitimizar a toda e qualquer crítica, não é compatível com o ambiente democrático das campanhas e com a falsa impressão de 'corajosa', que a candidata tenta transparecer", afirmou a campanha de Paes, em nota.