Três exemplos de vizinhos latino-americanos nos quais o Brasil poderia se inspirar

Foto: REUTERS/Mariana Greif

O ano de 2019 foi marcado por uma grande ebulição política na América Latina. No Brasil, as políticas controversas do governo de Jair Bolsonaro, ao menos até agora, não conseguiram unir minimamente as alas divergentes existentes por aqui.

Após a soltura do ex-presidente Lula, Bolsonaro já o acusou de pregar a intolerância enquanto o petista chamou sua militância para ir às ruas contra medidas do novo governo. Dilma Rousseff, outra ex-presidente petista, fez questão de se distanciar da mentalidade do novo governo.

Apesar dos diversos problemas e conflitos, houve acontecimentos em nossos vizinhos que poderiam nos servir de exemplo para algumas divergências recorrentes por aqui.

Confira abaixo:

  1. Convivência pacífica entre direita e esquerda no Uruguai

Após 15 anos de governo de centro-esquerda liderado pelo partido Frente Ampla, o centro-direitista Luis Lacalle Pou, do Partido Nacional, venceu Daniel Martínez e restabeleceu o retorno da direita no país.

A eleição foi acirrada e, por isso, alguns votos tiveram que ser recontados. Mesmo sem o resultado oficial, as duas militâncias foram às ruas celebrar as eleições no país. Em seu primeiro discurso depois de oficializada a sua vitória, Lacalle Pau destacou “a solidez da democracia” e a tolerância no país.

Ainda no discurso da vitória do direitista houve um militante da oposição no meio da multidão que foi saudado pelo vencedor e seus apoiadores, fato difícil de se imaginar por aqui onde, por exemplo, apoiadores do governo atual e os chamados petistas não costumam se dar bem em aglomerações.

  1. Respeito aos fatos históricos ocorridos no país como no Chile

Na última sexta-feira, Tonka Tomicic, uma apresentadora de TV chilena, pediu, durante o programa ao vivo, que um advogado se retirasse do estúdio. O motivo? O homem, conhecido por ter sido próximo do ditador Augusto Pinochet, negou que houve tortura sistemática durante a ditadura militar chilena, uma das mais sangrentas do continente.

"Não se pode compartilhar o espaço televisivo com uma pessoa que está negando parte da história do Chile", disse a apresentadora. A cena viralizou nas redes sociais do Brasil.

Nos últimos anos, muitas figuras políticas vieram à público negar os mortos e o desrespeito aos direitos humanos cometidos no período da ditadura militar brasileira, ainda que diversos documentos e testemunhas provem o ocorrido na época.

  1. Aceitação do resultado nas eleições e transição pacífica

Na Argentina, depois de uma intensa campanha eleitoral que deu a vitória à Alberto Fernandez (candidato da centro-esquerda), o candidato derrotado Mauricio Macri reconheceu o resultado das eleições e convidou o seu adversário para tomar um café no dia seguinte ao anúncio do resultado oficial.

De acordo com Macri, apesar da rivalidade entre os dois, o mais importante seria a realização de uma transição pacífica e produtiva para a Argentina, que vive uma grave crise econômica.

Foto: Presidencia de la Nacion via AP