TRF julga Bretas por participar de eventos ao lado de Bolsonaro e Crivella

Ana Paula Ramos
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Juiz Marcelo Bretas, do Rio, e o então juiz da Lava Jato em Curibita, Sergio Moro (Foto: REUTERS/Ricardo Moraes)
Juiz Marcelo Bretas, do Rio, e o então juiz da Lava Jato em Curibita, Sergio Moro (Foto: REUTERS/Ricardo Moraes)

O Tribunal Regional Federal da 2a Região (TRF-2) vai julgar a conduta do juiz federal Marcelo Bretas, do Rio, por participar de eventos políticos ao lado do presidente Jair Bolsonaro e do prefeito do Rio, Marcelo Crivella.

Em fevereiro, Bretas foi com o presidente e Crivella à inauguração de uma alça na Ponte Rio-Niterói e a uma festa evangélica na praia.

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O então corregedor nacional de Justiça, Humberto Martins, atual presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), determinou apuração da conduta de Bretas, atendendo a pedido da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), já que magistrados não podem se envolver em atividades político-partidárias.

Martins pediu abertura de investigação contra o juiz do Rio por “atos de caráter político-partidário” e de “superexposição e promoção”.

Em uma rede social, Bretas escreveu que “em nenhum momento, cogitou-se tratar de eventos político-partidários, mas apenas de solenidades de caráter técnico/institucional (obra) e religioso (culto)”.

“Vale notar que a participação de autoridades do Poder Judiciário em eventos de igual natureza dos demais Poderes da República é muito comum, e expressa a harmonia entre esses Poderes de Estado, sem prejuízo da independência recíproca”, defendeu-se.

O julgamento está marcado para a próxima quinta (17).

Responsável pelos julgamentos da Lava Jato no Rio de Janeiro, Bretas autorizou nesta semana busca e apreensão na casa do filho de Humberto Martins, o advogado Eduardo Martins, investigado sob suspeita de ter recebido R$ 82 milhões para atuar em causas da Fecomércio do Rio de Janeiro. Ele foi delatado por Orlando Diniz, ex-dirigente da entidade.

Um grupo de advogados está se articulando para pedir o afastamento do juiz ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). De acordo com os advogados, além de “ilegalidades” cometidas por ele em processos, eles acusam Bretas de parcialidade por uma suposta ligação com o presidente Jair Bolsonaro.