Triatleta vítima de ataque de pitbulls fala do seu processo de recuperação

Tiago Ferranti Belloube (Foto: Cleker Akamine)
Tiago Ferranti Belloube (Foto: Cleker Akamine)

O sol matinal de Leme no interior paulista iluminava a vegetação do canavial por onde o triatleta de Ribeirão Preto, também no interior paulista, Tiago Ferranti Belloube, 41, corria focado em preparar-se para futuras provas. Então uma matilha de ao menos cinco cães, a maioria pit bulls, surgiu por entre as folhas de cana-de-açúcar avançando contra ele. Belloube recebeu 50 mordidas e foi salvo por um motorista que passava ali, sendo que antes outro tentou ajudá-lo, mas também foi quase vitimizado pelos animais.

O caso de Belloube ganhou repercussão na imprensa, inclusive internacional, e serve de alerta para a falta de cuidado dos tutores de animais, e, também, para atletas que podem ser vítimas de tais eventos enquanto se preparam.

Belloube, que precisou de 60 pontos após o ataque, já passou por três cirurgias, incluindo a reconstrução do calcanhar, o “tendão de Aquiles”, e permanece em recuperação. Já consegue caminhar com auxílio de bota ortopédica, meia de compreensão e bengala.

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“Nessa fase a recuperação é lenta, faço fisioterapia quatro vezes na semana para acelerar a recuperação”, revela ao Yahoo Esportes em entrevista por e-mail. Quem o tem acompanhado e cuidado de suas necessidades é a esposa Vivian Ramos Carvalho dos Santos.

“Sou muito temente a Deus e creio que ele está fazendo uma grande obra na minha vida, estou sempre de bom humor e a ajuda da família e de vários amigos fazem a diferença”, aponta Belloube.

Com o ataque, Belloube perdeu o tendão e precisou de um enxerto e retalhos no pé. Não sabe dizer se terá alguma sequela, crê que este ano ainda não consiga correr em alto nível, já pode praticar natação com os devidos cuidados e ciclismo, entretanto “corrida ainda é um sonho”. Mas quando questionado sobre os planos de voltar a competir, devolve em tom enfático: “sem dúvida!”.

No sábado dia 11 de junho reencontrou o motorista que o salvou ao resgatá-lo dos cães, colocá-lo na caçamba de sua caminhonete e correr até a Santa Casa de Leme. Um morador de sítio que prefere permanecer anônimo junto à sua família.

“Um homem honesto, humilde e emotivo. Nos abraçamos, choramos e conversamos muitos”, relata Belloube.

Neste momento de recuperação cita outras pessoas que o ajudam como o ortopedista Dr. Rogério Bitar e o fisioterapeuta Dr. Alexandre Collucci, “e dezenas de pessoas (que) me ajudam financeiramente com os tratamentos, cirurgias e despesas”.

Um veterano do triatlo com uma jornada de 13 anos, Belloube começou durante o fim da infância e pré-adolescência a praticar corrida e andar de patins; depois passou a ir trabalhar de bicicleta, assim descobriu o mountain bike e a corrida competitiva que o levaram aos duatlos.

Os amigos desta modalidade o puxaram para o triatlo, e, enquanto era um estudante de Educação Física descobriu as competições de Ironman.

Em 2017, obteve a marca de 9 horas e trinta e três minutos no Ironman de Florianópolis. Também participou do GP Extreme, competição respeitada entre triatletas brasileiros. Tal trajetória foi adiada em decorrência do que sofreu e serve de aviso para os tutores de animais assim como para atletas não apenas de triatlo, mas de diversas modalidades.

Questionado sobre ter em seu caso uma história para alertar as pessoas é enfático: “acredito que, principalmente corredores de montanhas e ciclistas de mountain bike, os quais normalmente estão dentro das matas (precisam se preocupar). Claro que foi uma fatalidade, porém o cuidado nunca é demais.”

Belloube entrou na justiça para que o tutor dos cães seja devidamente responsabilizado.

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