Tribunal belga mantém prisão preventiva de eurodeputada envolvida no 'Catargate'

A Justiça federal da Bélgica decidiu, nesta quinta-feira (19), manter em prisão preventiva a eurodeputada grega Eva Kaili, principal envolvida no "Catargate", escândalo de corrupção que abala o Parlamento Europeu.

Em nota oficial, o Ministério Público belga anunciou que a Câmara do Conselho de Bruxelas "confirmou a prisão" da eurodeputada, que foi detida há seis semanas.

Na ocasião, um dos advogados de Kaili, André Risopoulos, havia dito que a defesa propôs medidas alternativas à prisão preventiva, como o uso de tornozeleira eletrônica, mas que a promotoria se opôs veementemente.

Segundo Risopoulos, "A Promotoria federal acredita que há todos os riscos: fuga, conluio com terceiros e destruição de provas".

Além de Kaili, o escândalo resultou na prisão de outras três pessoas: seu companheiro, o assessor parlamentar Francesco Giorgi; ex-deputado Pier Antonio Panzeri, e um sócio deste último, Niccolo Figa-Talamanca.

No entanto, Panzeri assinou um acordo de cooperação com a Justiça em troca de uma sentença limitada, informou esta semana o Ministério Público belga.

Segundo seus advogados, Kaili nega envolvimento em atos de corrupção.

O escândalo ficou conhecido como "Catargate" devido a fortes indícios de propinas pagas em dinheiro a uma rede para defender os interesses do país no Parlamento Europeu, embora denúncias recentes também impliquem o Marrocos no caso. Catar e Marrocos, em contrapartida, negam qualquer participação em atos de corrupção.

Em todo o caso, o Parlamento Europeu publicou nesta quinta-feira, com um atraso acentuado, a lista de todos os presentes recebidos em 2022 pela presidente da instituição, Roberta Metsola.

Embora os regulamentos atuais exijam que os deputados declarem presentes até o final do mês seguinte ao recebimento, a lista de Metsola foi compilada apenas em 12 de janeiro deste ano.

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