Tribunal do Equador nega recontagem de votos e confirma candidatos no 2º turno

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O ex-candidato à presidência do Equador Yaku Pérez

O Tribunal Contencioso Eleitoral (TCE) do Equador confirmou no domingo (14) que o líder indígena de esquerda Yaku Pérez está fora do segundo turno presidencial de abril, ao rejeitar um recurso apresentado para a recontagem de 50% dos votos do primeiro turno, que aconteceu em fevereiro.

O plenário do TCE "resolveu negar o recurso e ratificar o conteúdo da resolução emitida pelo Conselho Nacional Eleitoral" (CNE), afirma a sentença do organismo responsável por julgar e observar o cumprimento das normas eleitorais.

Desta maneira, o Tribunal ratificou que Pérez ficou em terceiro lugar no primeiro turno. O líder indígena reagiu no Twitter e chamou a sentença de "decisão deplorável". Também afirmou que o organismo "acaba de atentar contra a vontade popular, ferindo a #Democracia do Equador".

Responsável por organizar as eleições, o CNE decidiu que o economista de esquerda Andrés Arauz, de 36 anos, e o ex-banqueiro de direita Guillermo Lasso, 65, disputarão o segundo turno em 11 de abril, o que foi homologado pelo TCE.

O indígena havia solicitado ao CNE a revisão de 27.000 das quase 40.000 atas eleitorais de todo país. Apenas 31 foram revisadas, o que resultou em mais 612 votos. A mudança não afetou o percentual de votação.

"As resoluções do Tribunal Contencioso Eleitoral são de última e definitiva instância, causam execução", afirmou o ex-presidente do organismo Carlos Aguinaga à AFP.

Pupilo do ex-presidente socialista Rafael Correa (2007-2017), Arauz liderou o primeiro turno com 32,72% dos votos, seguido por Lasso, com 19,74%, e depois Pérez, com 19,39%, segundo os resultados de 21 de fevereiro.

A campanha eleitoral começa na terça-feira e, no próximo domingo (21), está previsto um debate oficial entre Arauz e Lasso.

O candidato do Pachakutik, braço político da Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), perdeu por apenas 32.600 votos a vaga na disputa presidencial que escolherá o sucessor do presidente Lenín Moreno. Este último deixa o cargo em 24 de maio.

Pérez denunciou uma suposta fraude da direita contra sua candidatura para afastá-lo do segundo turno, depois que ele apareceu em segundo lugar durante boa parte da apuração preliminar.

O TCE argumentou, no entanto, que "as características das provas (apresentadas) impedem que se conte com elementos probatórios suficientes para alcançar a convicção por parte dos juízes eleitorais de que, de fato, existe o vício alegado".

O ambientalista prometeu um movimento de resistência para cobrar "transparência".

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