Trinta agentes penitenciários e diretor de presídio no Paraguai são presos suspeitos de facilitarem fuga de 75

O Globo
Agentes de segurança se reúnem em frente à Penitenciária Regional de Pedro Juan Caballero, de onde 75 presos fugiram no domingo
Agentes de segurança se reúnem em frente à Penitenciária Regional de Pedro Juan Caballero, de onde 75 presos fugiram no domingo

Trinta agentes penitenciários e o diretor do presídio em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, Christian González, foram presos e estão prestando depoimento na manhã desta segunda-feira pela suspeita de facilitarem a fuga de 75 presos paraguaios e brasileiros no domingo. Os funcionários da penitenciária estão detidos no departamento de investigação da políciai paraguaia.

Diante de evidências de que a fuga pode ter sido possibilitada com a colaboração da equipe que trabalha no presídio, a ministra da Justiça do Paraguai, Cecilia Pérez, informou na noite de domingo que havia destituído o diretor da prisão e que os agentes tinham sido detidos.

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“Há uma forte suspeita de que os funcionários estejam envolvidos no esquema de corrupção”, declarou a ministra, apontando que os criminosos são de alta periculosidade. “Este é um trabalho de várias semanas. É evidente que o pessoal sabia e não fez nada”, afirmou a ministra da Justiça do Paraguai, Cecilia Pérez, em entrevista coletiva.

Durante o encontro com jornalistas, Cecilia manifestou que estava colocando o cargo à disposição da Presidência do Paraguai. A intenção de renunciar à pasta da Justiça foi noticiada pela mídia local, mas, de acordo com o jornal ABC Color, Benítez determinou que a ministra permaneça liderando os trabalhos do ministério na busca pelos foragidos.

Em uma circular divulgada na noite deste domingo, a pasta revogou férias de agentes penitenciários e determinou que todos os representantes da classe se apresentem em seus postos de trabalho na segunda-feira.

Segundo o governo paraguaio, os fugitivos são integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital), a maior facção criminosa que atua em presídios de São Paulo e ao menos 40 deles têm origem brasileira. O caso fez com que Cecilia Pérez colocasse o cargo à disposição do presidente Mario Abdo Benítez, que não aceitou o pedido de renúncia.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública trabalha com uma lista com 75 nomes dos fugitivos: 40 deles são brasileiros e 35 paraguaios.

Até o momento, somente um dos fugitivos foi capturado, mas as polícias paraguaia e brasileira trabalham na região para tentar encontrar os foragidos. A fronteira entre o Paraguai e o Mato Grosso do Sul continua aberta e ganhou atenção redobrada dos agentes de segurança.

A suspeita da pasta controlada por Cecilia Pérez é de que a ação foi detalhadamente planejada pelos criminosos. Na ação, foi utilizado um túnel construído a partir de um dos banheiros das celas. Cinco caminhonetes utilizadas na fuga foram encontradas incendiadas em Ponta Porã, a uma avenida de distância de Pedro Juan Caballero. Apenas um prisioneiro foi impedido de sair da unidade.