Trinta e nove tartarugas-marinhas nascem na praia da Barra

Luana Santiago

Trinta e nove tartaruguinhas-marinhas nasceram na tarde da última sexta-feira, dia 25, na praia da Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Após 78 dias de incubação, as pequenas da espécie cabeçuda chegaram ao mundo amparadas por profissionais do Projeto Aruanã, responsável pelo monitoramento diário do ninho diariamente desde que ele foi descoberto em novembro do ano passado.

— Quando chegamos aos 45 dias do ninho, montamos uma escala entre a equipe e todo dia pela manhã alguém ia verificá-lo. Como os ovos ficam enterrados, a maneira de descobrir se eles nasceram ou não é pelos buracos que surgem, já que os filhotes se mexem e a areia cede. Na sexta-feira percebemos que havia começado e fizemos a mobilização — conta Suzana Guimarães, coordenadora do projeto vinculado à Universidade Federal Fluminense (UFF) e parceiro do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos.

Para evitar que os 134 ovos da tartaruga-cabeçuda fossem pisoteados durante os 78 dias, a área onde eles foram enterrados foi isolada por uma cerca colocada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

— Tivemos que desenterrá-los porque havia o risco deles ficarem presos dentro do cercado construído para protegê-los. Felizmente todo mundo respeitou — celebra Suzana, que se surpreendeu com o engajamento dos moradores da Barra para cuidar das novas carioquinhas: — Os moradores locais se engajaram, mandavam vídeos do ninho quando o visitavam na parte da tarde... Foi uma mobilização bacana que sensibilizou a população quanto ao cuidado com o ecossistema. No dia do nascimento, um público enorme veio acompanhar. Vi que muita gente ficou emocionada e chegou até a chorar!

Apesar do nascimento representar uma esperança quanto as condições do meio-ambiente da região, a coordenadora afirma que este foi um evento raro, já que as águas da cidade do Rio são consideradas frias para a desova de tartarugas.

— Foi uma desova esporádica. O Norte do Rio, na altura de Campos dos Goytacases e Quissamã, é o limite mais ao Sul de desova no Brasil porque as tarturagas, geralmente, preferem águas mais quentes — afirma a bióloga marinha, que já tinha acompanhado desovas em Maricá e Itaipu em 2016 e 2017 respectivamente.

As baixas temperaturas, inclusive, foram a razão para as tartaruguinhas cariocas levarem mais tempo do que o previsto para nascerem.

— O tempo normal de incubação é de 45 a 60 dias, mas já esperávamos que esse limite fosse dobrar por estarmos em um verão atípico, com muitas frentes frias. Então aqui, que já uma região fria para as tartugas, acabou ficando mais gelada ainda. Só que ficamos apreensivas conforme nos aproximávamos dos 80 dias de incubação, limite máximo para as tartarguas nascerem — conta Suzana.

Apesar de nascerem em grande quantidade, Suzana explica que a taxa de sobrevivência das tartugas-marinhas é muito baixa: de 1000 filhotes, somente um ou dois conseguem chegar a idade adulta.