Tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina provoca disputa por leitos de UTI em Foz do Iguaçu

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Por Eduardo Silva

A cidade de Foz do Iguaçu, no oeste do estado do Paraná, vive o avanço de casos da Covid-19 e a superlotação de hospitais. No Hospital Municipal de Foz do Iguaçu, os leitos em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) estão lotados desde março de 2021.

Atualmente estamos com 100% das UTIs ocupadas de Covid-19, uma demanda bastante intensa nos últimos dias. Estamos também com o pronto-socorro respiratório com pacientes em ventilação mecânica”, afirma Sérgio Fabriz, diretor-presidente do hospital.

Dados divulgados nesta quinta-feira (1) pelo Consamu (Consórcio de Saúde dos Municípios do Oeste do Paraná), indicam a ocupação de todos os 357 leitos de UTI nas cinco regionais de Saúde:

  • Cascavel;

  • Toledo;

  • Foz do Iguaçu;

  • Francisco Beltrão; e 

  • Pato Branco;

Somente em Foz do Iguaçu, o SUS dispõe de 125 leitos de UTI e mais 89 de enfermaria. O Hospital Ministro Costa Cavalcanti, que também atende a pacientes com o coronavírus, atualmente está com 93% de ocupação de leitos de UTI, segundo a prefeitura.

Tríplice fronteira ajuda na "sobrecarga" ao SUS

Por fazer fronteira com a Ciudad del Este (ou Cidade do Leste), no Paraguai, o município tem recebido cidadãos de fora em busca de atendimento pelo SUS em vez do sistema de saúde privado do país vizinho – o que acaba por sobrecarregar ainda mais os hospitais.

Sérgio Fabriz diz ser difícil estimar quantos pacientes internados no Hospital Municipal são moradores de Foz do Iguaçu e quantos são “brasiguaios” (termo usado para designar brasileiros e seus descendentes, estabelecidos na República do Paraguai).

“Muitos dos pacientes que vêm até o hospital municipal omitem o endereço residencial verdadeiro. Mas no último levantamento que nós fizemos, identificamos em torno de 15% dos pacientes que são do Paraguai”, aponta o diretor.

<p>Alta taxa de ocupação de leitos de UTIs e aumento do desemprego afetam pessoas menos favorecidas em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná.</p>
<p>A cidade vive o avanço de casos da Covid-19 e a superlotação de hospitais. No Hospital Municipal de Foz do Iguaçu, os leitos em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) estão lotados desde março de 2021.</p>
<p>O Sistema Único de Saúde (SUS) da cidade conta com 125 leitos de UTI e mais 89 de enfermaria.</p>
<p>Por fazer fronteira com a Ciudad del Este (ou Cidade do Leste), no Paraguai, o município de Foz do Iguaçu tem recebido cidadãos de fora em busca de atendimento pelo SUS em vez do sistema de saúde privado do país vizinho – o que acaba por sobrecarregar ainda mais os hospitais.</p>
Dados do Consórcio de Saúde dos Municípios do Oeste do Paraná indicam a ocupação de todos os 357 leitos de UTI nas cinco regionais de Saúde. (Foto: Christian Rizzi/Yahoo Notícias)

A partir de março deste ano, a prefeitura afirmou que iria intensificar a fiscalização na fronteira. Na Ponte Internacional da Amizade, que liga os dois países, a abordagem dos fiscais também passou a cobrar a apresentação de testes negativos para a Covid-19 para evitar que pessoas contaminadas circulassem por Foz do Iguaçu.

Segundo dados epidemiológicos da Secretaria Municipal de Saúde, o município registrou 40.653 casos confirmados e 1.033 mortes pela Covid-19 até o dia 30 de junho.

Pandemia acelerou o desemprego em Foz do Iguaçu

A primeira e a segunda onda da pandemia também trouxeram problemas de desemprego e perda de renda para os moradores locais.

Cidade turística graças às Cataratas do Iguaçu e demais atrativos, Foz do Iguaçu fechou o ano de 2020 com um saldo negativo de 4.463 empregos formais, aponta o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério da Economia.

A falta de moradia é outro problema decorrente da pandemia e do desemprego. Segundo Roseli dos Santos, líder comunitária da Ocupação do Bubas, novas famílias procuraram o local durante a segunda onda da Covid-19 [a partir de outubro de 2020], mas não puderam ser atendidas.

“A gente não pôde abrigar mais ninguém porque não temos espaço o suficiente para trazer essas outras famílias”, comenta Roseli. Localizada no bairro Porto Meira, a Ocupação do Bubas existe desde 2013 e abriga, ao menos, duas mil famílias. É a maior ocupação urbana do estado do Paraná.

Nas redes sociais, são publicadas ações de doações de cestas básicas, kits de higiene e limpeza, roupas e calçados, no qual grande parte vem de empresas, associações e projetos sociais. “A gente corre atrás de cestas básicas para ajudar as famílias que mais necessitam, procurando por empresários e outras pessoas que possam nos ajudar”, explica a líder comunitária.

Brazilian border police patrol the Parana River that separates their country from Paraguay in Foz do Iguacu, Brazil, July 27, 2016. REUTERS/Stephen Eisenhammer
Ponte Internacional da Amizade, que liga o Brasil e Paraguai, de onde as autoridades sanitárias passaram a cobrar exames negativos para Covid-19. (Foto: REUTERS/Stephen Eisenhammer)

No final de abril deste ano, o município de Foz do Iguaçu deu início aos pagamentos do auxílio emergencial com valores entre R$ 150 e R$ 375. O depósito ocorre até o mês de julho e a previsão é que 60 mil moradores — cerca de 24% da população — sejam beneficiados.

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