Troca de comando na Petrobras cria 'bolha histérica', diz Lira

Raphael Di Cunto, do Valo e Matheus Schuch, do Valor
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BRASÍLIA - O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), minimizou durante participação em live do Valor nesta terça-feira, o anúncio de troca do presidente da Petrobras, que derrubou o valor da companhia em mais de R$ 100 bilhões. Ele disse que isso “é uma bolha histérica”.

- Não vejo risco para ingerência nos preços. Não há espaço no Brasil para esse tipo de atitude, ainda mais por um governo, por uma base no Congresso, por um ministro e um presidente que têm uma pauta liberal - garantiu.

Lira também afirmou que o projeto de autonomia do Banco Central será sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro na quarta-feira e que essa notícia é “muito mais importante” do que a troca na presidência da Petrobras.

- É importante que a sanção desse projeto não seja minimizada pela troca do presidente de uma estatal, que é atribuição do presidente da República - afirmou.

O presidente da Câmara avalia que a troca de comando da Petrobras, que será avaliada pelo Conselho de Administração da empresa nesta terça, “criou um clima de bolha histérica”, mas diz que nunca presenciou nenhuma conversa em Brasília sobre ingerência no preço da venda de combustíveis da estatal.

- Será que o ex-presidente da Petrobras era o único que tinha a conta ideal de como é feito o cálculo da gasolina, do combustível? - questionou.

Ele disse ainda que a decisão é administrativa do presidente da República, “feita de forma correta ou não”, e que não deveria causar tanta pressão do mercado.- Mais um ou dois dias verão que não vai ter congelamento [de preços] na Petrobras - disse.

Autonomia do BC

Lira comentou ainda que a autonomia do Banco Central era uma pauta tratada em sua campanha para a presidência da Câmara “para que a gente pudesse propiciar ao Brasil pauta de mais previsibilidade” e que esse foi um gesto importante do atual presidente, que não ocorreu nos governos do PSDB, do PT e do MDB.

- Temos aqui oscilações sempre de especulação do mercado. Em algum momento, você vai precisar equalizar taxa de juros, tomar medidas por causa do déficit, do endividamento, e o Banco Central previsível, com mandato para seus diretores e presidente, é óbvio que isso dará tranquilidade e previsibilidade para uma taxa cambial mais correta, de um acompanhamento monetário mais justo e previsível, com menos ou nenhuma ingerência da política - disse.

Segundo o parlamentar, as comissões permanentes devem ser instaladas no dia 4 de março, para que todas as propostas de emenda constitucional (PECs) — como a reforma administrativa — possam ser ter seu rito normal de tramitação.

Ele disse que a reforma tributária “é uma das mais importantes, mais sensíveis também”, e que o debate será bem amplo e mais demorado para que todos os setores sejam ouvidos após a apresentação do relatório do deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) na comissão mista do Congresso.

Desvinculação do orçamento

Lira também defendeu que o Orçamento “deve ser mais participativo”, com mais influência dos congressistas.

- Defendo ardorosamente a desvinculação do Orçamento. Isso não tira dinheiro da educação e da saúde, isso evita que o dinheiro da educação e da saúde seja jogado para o ralo para você cumprir metas - disse.Ele continuou:- Quem conhece as dificuldades desse Brasil são os parlamentares, não o ministro em Brasília.