Troca no comando do Previ pesa e Bolsa cai 0,8%

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP: Painel de indicadores econômicos na sede da Bovespa, em São Paulo. (Foto: Alessandro Shinoda/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP: Painel de indicadores econômicos na sede da Bovespa, em São Paulo. (Foto: Alessandro Shinoda/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A renúncia de José Maurício Pereira Coelho da presidência do Previ, bilionário fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, acentuou o viés negativo no pregão desta terça-feira (25). As ações do Banco do Brasil chegaram a cair 2,04% com a notícia, fechando em queda de 1,34%. 

O Ibovespa, já contaminado pela queda dos índices em Nova York, foi impactado e cedeu 0,84%, a 122.987,71 pontos. O dólar fechou em alta de 0,22%, a R$ 5,3370. O dólar turismo está a R$ 5,5070. 

Para Sandra Peres, analista Terra Investimentos, a avaliação que a saída de José Maurício foi fruto de uma pressão para abrir vaga e acomodar aliados do governo é o que motivou a queda dos papéis da estatal. 

"O problema é esse, vem ocorrendo muitas mudanças e pedidos de demissões, após a saída de André Brandão", diz Sandra. 

Brandão saiu há menos de dois meses do BB, em uma troca promovida pelo presidente Jair Bolsonaro, em interferência criticada pelo mercado que culminou com a renúncia de dois membros do conselho de administração da instituição. 

Para Lucas Carvalho, analista da Toro Investimentos, a mudança no Previ foi um fator secundário no movimento do papel neste pregão. "Vejo mais um movimento de realização de lucros, a ação subiu forte nos últimos quatro pregões." 

Também pesou no setor bancário a notícia do jornal Valor Econômico de que o Ministério da Economia tem pronta proposta para acabar com juros sobre capital próprio, opção que as empresas usam para distribuir recursos aos acionistas e que reduz o Imposto de Renda a pagar sobre o lucro. 

Itaú Unibanco caiu 1,05% e Santander, 1%. O papel preferencial (sem direito a voto) do Bradesco recuou 0,5% e o ordinário (com direito a voto), 0,97%. 

À espera de dados inflacionários na sexta, Wall Street teve leve queda. O S&P 500 fechando em baixa de 0,21% e Dow Jones, de 0,24%. Nasdaq teve queda marginal de 0,03%. 

Na Bolsa brasileira, outro destaque foi a Cielo, que disparou 7,63%, após notícia do site Neofeed de que a empresa de benefícios corporativos Alelo vai desenvolver um software de adquirência para uso interno.

Já a Azul fechou com elevação de 4,11%, após a empresa anunciar que contratou consultores para estudar oportunidades de consolidação na indústria e encerrar acordo de compartilhamento de voos com a Latam Airlines Brasil. A rival Gol valorizou-se 2,88%. 

Após disparar quase 25% na véspera devido ao acordo com Stone e planos de listagem nos EUA, o Banco Inter caiu 6,97%. 

A Vale, por sua vez, recuou 2,49%, com o setor de mineração e siderurgia em realização, em meio à fraqueza do minério de ferro na China. O país, maior consumidor de metais, prometeu fortalecer controles de preços de materiais chave nos próximos cinco anos, incluindo minério de ferro. 

As ações preferenciais (mais negociadas) da Petrobras recuaram 2,08%, em sessão de variações contidas dos preços do petróleo no exterior. As ordinárias (com direito a voto) cederam 1,79%.