Trocado da superintendência da PF no Amazonas, Saraiva era alvo de madeireiros em troca de mensagens

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Alexandre Saraiva será trocado da chefia da PF no Amazonas - Foto: Reprodução/TV Globo
Alexandre Saraiva enviou notícia-crime contra Salles para o Supremo Tribunal Federal - Foto: Reprodução/TV Globo
  • Troca de mensagens entre madeireiros mostra Saraiva como alvo

  • Conversas foram descobertas durante operação Arquimedes

  • Saraiva foi retirado do cargo de superintendente da PF no Amazonas

O agora ex-superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Alexandre Saraiva, é citado como “alvo a ser abatido” em trocas de mensagens entre madeireiros. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

As mensagens deixam claro que o desejo dos madeireiros é que Saraiva deixe o posto na PF. A conversa aconteceu em 2 de setembro de 2019 entre o investigado Roberto Paulino e outro interlocutor, chamado Guga.

Paulino enviou uma foto de Alexandre Saraiva e escreveu: “Alvo a ser abatido”. Para a PF, a frase “indica que todas as possibilidades para remover o superintendente da Polícia Federal no Amazonas estão sobre a mesa, em outros termos, caso as vias políticas e/ou judiciais e disciplinares não surtam efeito, não está descartado o uso da violência”.

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As conversas fazem parte da operação Arquimedes, a mesma que apreendeu 444 contêineres de madeira ilegal.

O mesmo Paulino, em conversa com Humberto Jacob de Barros, volta a falar de uma possível saída de Saraiva. Eles mencionam alguém chamado Júlio, que os ajudaria. “Tem que pedir para o Júlio tirar esse cara daqui. Urgente.”

Saraiva foi o responsável por assinar o pedido enviado ao STF uma notícia-crime contra o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. À Folha, ele afirmou que nunca tinha visto uma titular da pasta ser contra uma ação cujo objetivo é preservar a floresta amazônica.

Saraiva soube da troca pela imprensa

O delegado Alexandre Saraiva disse que não foi informado por seus superiores sobre a saída da chefia da Polícia Federal do Amazonas. Em entrevista à coluna Painel, da Folha de S.Paulo, ele afirmou que ficou sabendo da troca no comando “pela imprensa”.

“Não fui avisado. Me disseram que me ofereceriam um posto de adido, não me disseram onde, nem quando. Não foi nem meu chefe imediato que avisou, o único que poderia fazer esse comunicado, meu superior hierárquico. Não falaram nem quando seria”, declarou. “Soube por uma notícia da imprensa. Se é verdade ou não, eu não sei.”

O novo diretor-geral da Polícia Federal, recém nomeado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Paulo Maiurino, foi quem decidiu trocar o chefe da superintendência do Amazonas.

Responsável pela Polícia Federal no Amazonas, Saraiva fez críticas ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e assinou o pedido de investigação encaminhado ao Supremo Tribunal Federal. O principal motivo é a apreensão de madeira no Brasil, que registrou o maior nível da história.

Sobre a possibilidade de este ter sido o motivo de sua saída, Saraiva desconversou. “Não tenho como saber. Sempre toquei inquérito, até para não esquecer o que eu sou, delegado da PF.”

Entenda a denúncia da Polícia Federal contra Ricardo Salles enviada ao STF

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, foi denunciado pelo superintendente da PF (Polícia Federal) no Amazonas, Alexandre Saraiva, que enviou uma notícia-crime ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Na queixa, a PF aponta a possibilidade do envolvimento de Salles nos crimes de advocacia administrativa, organização criminosa e o crime de dificultar a ação de fiscalização ambientais.

Além de Salles, o senador Telmário Mota (Pros-RR) e o presidente do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Eduardo Bin, também são citados. Entretanto, Saraiva não pede que Bin seja investigado pelo Supremo, somente Salles e Telmário.

Quem foi denunciado pela PF ao STF?

  • Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente

  • Telmário Mota, senador do Pros por Roraima

  • Eduardo Bin, presidente do Ibama — contudo, a PF não pede que ele seja investigado

O que motivou a denúncia da PF contra Salles?

O delegado da PF acusa Salles e Telmário de praticaram atos no âmbito da Operação Handroanthus que podem constituir crime. Nessa operação, a PF no Amazonas realizo uma apreensão recorde de madeira extraída ilegalmente.

A apreensão de 131 mil m³ de toras foi realizada em dezembro de 2020 e batizada de operação Handroanthus GLO. Depois, outras ações foram realizadas e há mais de 200 mil m³ armazenados pelas autoridades federais. Salles e Telmário têm criticado a condução do caso pela PF.