Trocar de partido é só trocar de problema, diz Janaina sobre Bolsonaro e PSL

CAROLINA LINHARES
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 05.07.2019: Deputada federal pelo PSL-SP, Janaina Paschoal, durante reunião de secretaria do do Governo do Estado de São Paulo. ( Foto Charles Sholl/Brazil Photo Press/Folhapres)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP), eleita com mais de 2 milhões de votos no ano passado, afirmou que trocar de partido é apenas trocar de problema.

Em nota enviada à reportagem, a deputada comentou a decisão do presidente Jair Bolsonaro de deixar o PSL.

"Penso que trocar de partido só implica trocar de problema. Sair é um direito dele. Mas, em pouco tempo, ele estará infeliz no próximo. Não é uma praga, é só uma constatação", afirmou a deputada.

Recordista eleitoral, Janaina defende candidaturas independentes e não se envolve em questões partidárias. 

Ela já criticou posições do PSL e teve atritos com seus colegas de bancada.

Em maio, por exemplo, sinalizou que sairia do partido após desentendimento com outros deputados da sigla num grupo de WhatsApp, mas voltou atrás. Na ocasião, ela se colocava contra a convocação de manifestação de apoio a Bolsonaro.

Para o partido, no entanto, é um importante ativo. Por causa de sua votação expressiva, o PSL conquistou a maior bancada da Assembleia Legislativa de São Paulo, com 15 deputados.

"Ficar, ou não, em um partido é uma decisão muito pessoal. Como defensora das candidaturas independentes de partidos, eu compreendo o desconforto do presidente. Por outro lado, pondero que o presidente vem, já há um bom tempo, trocando de partidos sucessivamente", afirma Janaina.

Desde que entrou na política após passar para a reserva remunerada do Exército, em 1989, Jair Bolsonaro foi filiado a cinco partidos diferentes.

Oficialmente, nos registros da Justiça Eleitoral, ele passou por oito agremiações, mas três delas eram fusões ou novas denominações de outros partidos -PDC, PPR e PPB, oriundos ou que deram origem ao partido hoje conhecido como PP.

O presidente integrou o PP (Partido Progressista), o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), o PFL (Partido da Frente Liberal), o PSC (Partido Social Cristão) e, desde 2018, o PSL (Partido Social Liberal).

Ele também chegou a ser anunciado como filiado ao PEN-Patriota, em janeiro de 2018, mas desistiu e se filiou ao PSL, no qual se elegeu presidente da República.

Bolsonaro está incomodado com o presidente nacional da sigla, deputado Luciano Bivar (PE). Na terça (8), pediu a um apoiador que não divulgasse um vídeo no qual seu nome era mencionado junto do PSL e de Bivar porque o dirigente está "queimado para caramba". 

Ainda não foi definido o futuro partidário do presidente, que está filiado ao PSL há menos de dois anos. As legendas maiores não querem receber Bolsonaro porque veem nele uma tentativa de assumir o comando da agremiação à qual se vincular.

A crise de Bolsonaro com o PSL ganhou nova dimensão na manhã de terça, quando ele pediu que um apoiador esquecesse o partido e disse que Bivar estava "queimado para caramba".

"Esquece o PSL, esquece o PSL, ta ok?", cochichou Bolsonaro no ouvido do apoiador que o esperava na porta do Palácio da Alvorada, na terça, para gravar um vídeo. 

Um jovem aparentando ter entre 20 e 30 anos se aproximou do presidente com um celular para fazer um vídeo dizendo: "Eu sou do Recife, pré-candidato do PSL".

Bolsonaro pede então que ele esqueça a legenda, mas o apoiador insiste.

"Eu, Bolsonaro e Bivar juntos por um novo Recife, aê!", grita o jovem enquanto registra a cena com um celular em posição de selfie.

Ao perceber que foi gravado, o presidente então pede que a imagem não seja divulgada.

"Ô cara, não divulga isso não, pô. O cara [Bivar] tá queimado para caramba lá. Vai queimar o meu filme também. Esquece esse cara, esquece o partido", afirmou. 

O PSL enfrenta uma crise desde que foi atingido por suspeitas de candidaturas de laranjas, caso revelado pelo jornal Folha de S.Paulo em fevereiro e que já resultou na queda do ex-chefe da Secretaria-Geral, Gustavo Bebianno.

Entre os suspeitos de irregularidades está Bivar, que é deputado federal, e o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio.

"Não há, da parte do presidente, agora, nenhuma formulação com relação a uma suposta transição do partido", afirmou o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, na segunda (7). 

Em fevereiro, a Folha de S.Paulo revelou que o hoje ministro do Turismo de Bolsonaro patrocinou em 2018, quando era presidente do PSL-MG e candidato a deputado federal, o desvio de verbas públicas do partido por meio de quatro candidatas do interior de Minas. 

Apesar de figurarem no topo das que nacionalmente mais receberam dinheiro público do PSL, R$ 279 mil, as quatro não apresentaram sinais evidentes de que tenham realizado campanha e, ao final, reuniram, juntas, apenas 2.074 votos.

Parte dos recursos que Álvaro Antônio direcionou a elas, como presidente estadual da sigla, foi parar em empresas ligadas a assessores e ex-assessores de seu gabinete na Câmara.

Álvaro Antônio foi alvo de denúncia pelo Ministério Público Federal na última sexta (4).