Tropa de Choque libera Rodovia Castello Branco, em SP; Dutra continua interditada no estado

A Rodovia Castello Branco, uma das principais de São Paulo, foi liberada por volta do meio-dia desta quarta-feira, segundo a Polícia Militar de São Paulo (PM-SP). A via era ocupada ilegalmente desde segunda (31) por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) que protestavam contra o resultado legal das eleições que elegeram Luiz Inácio Lula da Silva (PT) presidente. Os manifestantes não reconheceram a derrota e pediam intervenção militar. Conforme a PM-SP, ainda havia 18 rodovias interditadas no estado às 12h55m.

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A estrada foi desbloqueada após ação da Tropa de Choque da PM-SP. O governo estadual enviou 20 carros da Tropa de Choque para retirar os bolsonaristas. Os agentes usaram jatos d'água e bombas de efeito moral para dispersar os manifestantes. Os apoiadores de Bolsonaro interditaram os dois sentidos da Castello, próximo ao Km 26, perto da cidade de Barueri, durante toda a manhã desta quarta, feriado de Finados.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal em São Paulo (PR-SP), às 11h30m desta quarta-feira ainda havia interdição parcial da Rodovia Presidente Dutra, nos dois sentidos. O bloqueio ocorria nos trechos de São José dos Campos, Jacareí e Caçapava. A PRF disse estar negociando a liberação. A torcida organizada do Corinthians Gaviões da Fiel furou bloqueios feitos na Dutra em Jacareí e São José dos Campos nesta manhã.

No último boletim divulgado, a PM-SP informou às 12h55m desta quarta-feira haver 18 rodovias interditadas e 137 parcialmente liberadas. Outras 121 vias haviam sido completamente desobstruída. A Polícia Militar paulista ainda afirmou ter aplicado 183 multas aos motoristas que desrespeitaram a determinação de liberação das vias. O valor da multa é de R$ 100 mil.

'Não são caminhoneiros que estão fazendo ato', diz líder de greve de 2018

O presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim (Chorão), um dos líderes da greve de 2018, disse nesta quarta-feira que os caminhoneiros não podem ser usados como massa de manobra de um grupo que está trabalhando contra a democracia do país. Ele disse que os caminhoneiros que estão nos bloqueios nas estradas estão sendo obrigados a parar.

— Não são os caminhoneiros que estão fazendo esse ato, mas um grupo antidemocrático, que não reconhece o resultado das eleições. O primeiro passo é reconhecer o resultado das urnas. A eleição já acabou e parabéns ao presidente eleito, Lula — disse Chorão, em vídeo enviado ao Globo.

Ele afirmou que diante deste cenário de paralisações de estradas, os caminheiros estão sendo taxados de baderneiros, terroristas e radicais. Mas não existe uma pauta econômica da categoria, e sim uma pauta antidemocrática. Ele afirmou que muitos caminhoneiros querem apenas trabalhar.

Chorão parabenizou o governo de São Paulo, e de outros estados, e a Polícia Militar por estarem liberando as rodovias. Nesta manhã, a Tropa de Choque usou bombas de efeito moral e jatos d'água para dispersar um bloqueio na altura do quilômetro 26 da Rodovia Castello Branco, que liga a capital paulista ao interior e a importantes cidades da região metropolitana.

Mais manifestações antidemocráticas em São Paulo

Vestidos de verde e amarelo e envoltos da bandeira do Brasil, milhares de apoiadores de Bolsonaro também fazem manifestações antidemocráticas nesta quarta na cidade de São Paulo pedindo intervenção militar por causa do resultado das eleições.

Os bolsonaristas se reuniram em frente ao Quartel General do Exército paulista, sede do Comando Militar do Sudeste, próximo ao parque Ibirapuera, desde ao menos a noite de terça-feira. O ato aconteceu próximo à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Na tarde desta quarta, a multidão caminha em direção à Avenida Paulista.

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Sem reconhecer a vitória de Lula, o presidente eleito, eles gritam “intervenção federal”. Um grupo segura um cartaz escrito “O Exercito Não Pode Bater Continência Para Um Ladrão". Outra faixa traz os dizeres “intervenção federal a pedido do povo”.

Os manifestantes bloqueiam o trânsito. Há congestionamento pela região do parque e do bairro Paraíso, onde muitos manifestantes deixaram seus carros para irem a pé até o ato. Na rua Tutóia próxima ao parque, há vários trechos tomados por veículos estacionados. "No local, policiamento reforçado e trânsito desviado para as vias adjascentes", informou a PM-SP.

No percurso dos manifestantes até o protesto, pessoas que não concordam com a manifestação gritam "fascistas" e "golpistas" em direção aos bolsonaristas.

Outra manifestação similar acontece no bairro de Santana, em frente ao Centro de Preparação de Oficiais da Reserva. Aproximadamente quarenta pessoas, majoritariamente idosas, defendem a intervenção das Forças Armadas. Com buzinas e bandeiras do Brasil, os militantes se concentravam na calçada e apenas iam a via quando o farol da rua Alfredo Pujol estava fechado. Não há congestionamento.