Famílias que fugiram de Ghouta são separadas e instaladas em refúgios lotados

Beirute, 27 mar (EFE).- Muitas famílias foram separadas durante a fuga da região de Ghouta Oriental, nos arredores de Damasco, e estão sendo recebidas em refúgios completamente lotados denunciou nesta terça-feira o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

Em comunicado, o CICV revelou que muitas pessoas que deixaram a região controlada pelos rebeldes após um acordo com o governo da Síria estão dormindo ao ar livre. Não há espaço suficiente para recebê-las nos refúgios habilitados para os deslocados internos.

Os locais também não têm chuveiros e banheiros. Por isso, a CICV pede que os esforços sejam dobrados para agilizar o processo de saída dessas pessoas dos refúgios lotados.

Para atenuar a situação, o CICV está trabalhando junto com o Crescente Vermelho na Síria para construir novos acampamentos e melhorar os já existentes para acomodar os deslocados.

Um centro médico também está sendo construído no campo de Al Dueir, que está recebendo muitos dos que fugiram de Ghouta Oriental.

Nas últimas semanas, dezenas de milhares de civis escaparam de Ghouta Oriental por meio de corredores criados pelas autoridades civis após um acordo com os rebeldes que atuam na região.

Por outro lado, o CICV destacou que muitas das crianças que estão fugindo de Ghouta estão extremamente frágeis, expostas a doenças cutâneas e diarreia. Várias estão com pilhos e tiveram que andar muitos quilômetros completamente descalços.

O Escritório de Coordenação Humanitária das Nações Unidas (OCHA) na Síria informou que mais de 80 mil pessoas deixaram Ghouta Oriental desde 9 de março em direção a outras regiões do país.

A maior parte deixou a área nos corredores abertos pelas tropas do governo sírio. Cerca de 13 mil delas, porém, quase todas combatentes e seus familiares, foram em direção à província de Idlib em virtude de acordos firmados com o regime de Bashar al Assad.

O Exército da Síria e seus aliados iniciaram em fevereiro uma ofensiva terrestre contra Ghouta Oriental. Atualmente, as tropas governamentais controlam 90% da região. EFE