Tropas dos EUA treinaram tropas taiwanesas em segredo por um ano

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Uma aeronave de alerta precoce (E2K) feita nos EUA decola de uma rodovia em Pingtung, no sul de Taiwan, durante um exercício anual em setembro de 2021 (AFP/Sam Yeh)

Forças de operações especiais dos Estados Unidos vêm treinando tropas de Taiwan em segredo há meses, uma iniciativa rejeitada pela China, que alertou, nesta sexta-feira (8), que pode causar "graves danos" às relações entre Washington e Pequim.

Um contingente de cerca de 20 membros das operações especiais e forças convencionais americanas vem conduzindo o treinamento há menos de um ano, disse um funcionário do Pentágono à AFP, na quinta-feira (8), sob anonimato.

A mesma fonte confirmou, assim, uma matéria do The Wall Street Journal, segundo a qual cerca de duas dezenas de soldados americanos treinaram as forças terrestres e marítimas taiwanesas "durante pelo menos um ano", em meio às crescentes ameaças verbais da China contra a ilha.

Nesta sexta-feira (8), Pequim reagiu fortemente a estas informações, afirmando que os Estados Unidos devem reconhecer a situação "altamente sensível" em Taiwan.

"Os Estados Unidos deveriam (...) cessar a venda de armas para Taiwan e as relações militares EUA-Taiwan para não prejudicar, gravemente, as relações China-EUA e a paz e estabilidade no Estreito de Taiwan", declarou o porta-voz do Ministério chinês das Relações Exteriores, Zhao Lijian.

"A China tomará todas as medidas necessárias para proteger sua soberania e integridade territorial", acrescentou.

O porta-voz do Pentágono, John Supple, disse que o apoio dos Estados Unidos às Forças Armadas de Taiwan é medido por suas necessidades de defesa.

"Nosso apoio a Taiwan e nossas relações de defesa (com a ilha) estão de acordo com a atual ameaça representada pela República Popular da China", disse Supple, em um comunicado.

"Insistimos em que Pequim cumpra seu compromisso por meio da resolução pacífica das diferenças", completou.

Ao ser questionado sobre a matéria do jornal americano, o primeiro-ministro taiwanês, Su Tseng-chang, disse que "uma causa justa sempre gera muito apoio".

O reportagem parece confirmar informações da imprensa taiwanesa de que, em novembro, citando o Comando Naval de Taiwan, tropas americanas haviam chegado lá para treinar as forças da ilha em operações anfíbias e com pequenas embarcações.

Essas matérias foram negadas por funcionários americanos e taiwaneses, os quais enfatizaram que ambas as partes mantêm intercâmbios e cooperação militar bilateral.

Os Estados Unidos fornecem armas a Taiwan, incluindo mísseis de defesa e caças, em meio à ameaça de Pequim de retomar o controle da ilha à força e reintegrá-la à China.

Os Estados Unidos também têm um compromisso ambíguo de defender Taiwan, que Pequim considera uma província rebelde.

As forças chinesas intensificaram suas atividades em relação a Taiwan no ano passado. Na segunda-feira (4), Taiwan anunciou que 56 aviões da Força Aérea chinesa haviam penetrado em sua zona de defesa aérea, em um novo capítulo da tensão entre os países.

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