Trudeau exige que Igreja 'assuma a responsabilidade' por abusos em escolas indígenas no Canadá

·2 minuto de leitura
Memorial na antiga escola residencial indígena de Kamloops, onde foram homenageadas as 215 crianças cujos restos mortais foram encontrados enterrados nas proximidades, em Kamloops, British Columbia, Canadá, em 3 de junho de 2021

O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, pediu nesta sexta-feira (4) à Igreja Católica que "assuma a responsabilidade" e publique registros sobre as escolas residenciais indígenas sob sua direção, após a descoberta dos restos mortais de 215 crianças em sepulturas sem nomes.

Trudeau afirmou em coletiva de imprensa que seu governo está disposto a tomar "medidas mais fortes", possivelmente incluindo ações judiciais, para obter os documentos exigidos pelas famílias das vítimas, caso a Igreja não cumpra a reivindicação.

“Como católico, estou profundamente decepcionado com a posição que a Igreja Católica tem assumido agora e nos últimos anos”, disse Trudeau.

O Canadá foi abalado pela descoberta dos restos mortais de crianças na Kamloops Indian Residential School, na província de British Columbia, especialmente porque apenas 50 mortes foram oficialmente registradas lá.

A escola, que funcionou de 1890 a 1969, era a maior das 139 residências escolares criadas há um século para assimilar à força os povos indígenas do país. Cerca de 150 mil crianças ameríndias, mestiças e inuítes foram recrutadas à força para essas escolas.

Diante da mídia, Trudeau relembrou uma viagem ao Vaticano em maio de 2017, durante a qual buscou um pedido formal de desculpas do papa Francisco pelos abusos dos alunos, assim como acesso aos registros da Igreja canadense para ajudar a contabilizar mais de 4.100 estudantes que, segundo o que acreditam, morreram por doenças ou desnutrição.

"Ainda estamos vendo resistência da Igreja", observou Trudeau.

Questionado sobre se o governo poderia obrigar a divulgação dos dados, o primeiro-ministro respondeu: "Acredito que, se necessário, tomaremos medidas mais fortes."

No entanto, ele acrescentou que "antes de começarmos a levar a Igreja Católica aos tribunais, tenho muitas esperanças de que os líderes religiosos vão compreender que isso é algo em que precisam se envolver".

amc/sst/llu/gm/ic