Trump acusa líder democrata de 'minar democracia dos EUA'

A presidente da Câmara de Representantes, a líder democrata Nancy Pelosi, em 12 de dezembro de 2019, em Washington

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou nesta terça-feira (17) a presidente da Câmara de Representantes, a líder democrata Nancy Pelosi, de "minar a democracia" do país com o processo de impeachment contra ele.

Em uma carta de mais de cinco páginas em tom raivoso, Trump disse à Pelosi que "a história a julgará duramente", às vésperas de a Câmara formalizar sua acusação contra Trump de abuso de poder e obstrução do Congresso.

Relembrando um famoso erro judicial do século XVII, garantiu que teve menos direitos do que "aqueles acusados nos julgamentos das Bruxas de Salem".

Pelosi anunciou nesta terça-feira que a Câmara de Representantes decide na quarta se aprova as acusações contra Trump para que seja submetido a um julgamento político.

"Amanhã, a Câmara de Representantes exercerá uma das atribuições mais solenes que a Constituição lhe concede, quando se reunir para aprovar dois artigos de acusação contra o presidente", declarou Pelosi em carta enviada aos congressistas de seu partido.

Em declarações a jornalistas na Casa Branca, Trump voltou a rejeitar as acusações.

"É uma farsa total", afirmou.

Ao ser questionado sobre se tem alguma responsabilidade nesta crise, limitou-se a responder que "nenhuma".

Na carta, acusou Pelosi de ser culpada.

"É você que interfere nas eleições dos Estados Unidos. É você que mina a democracia americana. É você que obstrui a Justiça. É você que traz dor e sofrimento para nossa república, para seu benefício próprio - pessoal, político e partidário", escreveu.

"Isso não é nada mais do que um golpe de Estado ilegal e partidário", insistiu Trump.

- Caso ucraniano -

Menos de três meses após a eclosão do escândalo ucraniano, a Câmara dos Representantes, controlada pelos democratas, está pronta para votar se acusa Trump de "abuso de poder" e "obstrução do Congresso".

A primeira acusação diz respeito ao pedido feito por Trump à Ucrânia para que investigasse seu possível adversário eleitoral em 2020, o ex-vice-presidente dos EUA Joe Biden. Em troca, Trump daria uma crucial ajuda militar para o país que enfrenta uma guerra com separatistas pró-russos.

A segunda acusação se refere à tentativa de bloquear os esforços dos legisladores para investigar as ações do presidente republicano.

Tudo indica que os legisladores votarão de forma partidária, refletindo a profunda divisão da opinião pública.

De acordo com uma pesquisa CNN/SSR, 45% dos americanos querem que Trump seja afastado do cargo (um percentual que sobe para 77% entre os eleitores democratas), enquanto 47% são contra.

Um grupo de parlamentares democratas moderados, eleitos em circunscrições eleitorais ligadas a Trump, disse que apoiará o julgamento do presidente, mesmo correndo o risco de perder eleitores.

"Meus anos de serviço no Exército me ensinaram a colocar nosso país em primeiro lugar, não a política", declarou Mikie Sherrill, congressista por Nova Jersey.

"Sei que minha decisão vai incomodar algumas pessoas, mas fui escolhido para fazer a coisa certa, não a politicamente segura", acrescentou Anthony Brindisi, representante de Nova York.

O julgamento de Trump no Senado provavelmente acontecerá em janeiro. Por enquanto, nas condições políticas atuais, a previsão é de que o presidente seja absolvido na Câmara Alta: seriam necessários pelo menos 67 votos para afastá-lo do cargo, e os republicanos ocupam 53 dos 100 assentos.

O líder republicano na Casa, Mitch McConnell, declarou nesta terça que "a investigação apressada" dos democratas da Câmara, visando à destituição do presidente, é um fracasso e rejeitou a exigência democrata de convocar novas testemunhas.

"Não é tarefa do Senado procurar desesperadamente maneiras de condenar (o presidente). Isso dificilmente seria uma justiça imparcial", criticou McConnell.

Uma vez terminado o julgamento, republicanos e democratas mergulharão novamente na campanha para as eleições presidenciais de novembro de 2020, relegadas a segundo plano neste último trimestre.

Trump está convencido de que este episódio o beneficiará. Em um tuíte, ele observou que uma pesquisa recente do jornal "USA Today" faz dele um vencedor contra todos os possíveis candidatos democratas.