Trump afirma que vai contestar judicialmente vitória de Biden em todos os estados disputados

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WASHINGTON — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse em seu Twitter que irá contestar judicialmente a vitória de Joe Biden em todos os estados disputados, fundamentais para determinar o resultado da eleição. Mais cedo, o presidente havia defendido que a contagem dos votos fosse interrompida, minutos Biden, afirmar que todos os "todos os votos contam".

A campanha de Biden, por sua vez, disse estar confiante na vitória democrata, mas pediu 'calma e paciência'. Desde a virada do ex-vice-presidente em Wisconsin e Michigan, Trump usa suas redes sociais para sugerir a ocorrência de fraudes, mesmo sem evidências, em locais onde liderava nas primeiras horas após o fechamento das urnas, mas que agora sinalizam a vitória de Joe Biden.

Para além de sua retórica, a campanha republicana já anunciou ações judiciais para suspender a apuração em Michigan, na Geórgia e na Pensilvânia e pedindo uma recontagem em Wisconsin, onde a apuração ainda não acabou.

"Todos os estados que recentemente foram anunciados em favor de Biden serão desafiados judicialmente desafiados por nós por fraude eleitoral e fraude eleitoral estadual. Muitas provas, basta olhar a mídia. Nós vamos vencer. América primeiro", disse o presidente no início da tarde desta quinta, mesmo sem provas de irregularidade.

Menos de uma hora antes, Trump havia tuitado "PAREM A CONTAGEM", com letras maíusculas — algo que, no momento da postagem, daria a vitória para Biden. Minutos depois, escreveu "todos os votos que vierem após o dia da eleição não serão contados", postagem que foi sinalizada pelo Twitter por conter informações contestáveis ou incorretas.

De acordo com várias legislações estaduais, votos desta modalidade podem ser contados mesmo que cheguem dias depois do encerramento oficial da votação, na terça-feira 3 de novembro. Desde a campanha, o presidente tenta pôr em xeque a lisura do voto por correspondência, mesmo sem sinais de irregularidade. Um número recorde de 65 milhões de pessoas optaram por enviar suas cédulas eleitorais pelo serviço postal, em sua grande maioria democratas.

Na quarta, em seu discurso, o presidente já havia afirmado, mesmo sem provas, haver fraude na apuração dos resultados e que iria à Suprema Corte parar o que chamou de "votação" em alguns estados — uma aparente referência aos votos enviados pelo correio.

É a demora na contagem destes votos que explica não só lentidão da apuração em muitos estados-chave, mas também a virada de Biden após algumas horas de liderança republicana. Como os votos presenciais, majoritariamente republicanos, eram apurados primeiro, Trump aparecia na frente com margem significativa. Conforme as cédulas postais foram entrando do sistema, no entanto, os democratas foram se aproximando e virando o cenário. Há semanas, especialistas já apontavam que esta "miragem vermelha" poderia acontecer e que era necessário cautela para analisar os resultados.

Trump havia prometido que esperaria um resultado final para declarar vitória, mas não foi isto que aconteceu, declarando vitória ainda durante a madrugada. No início da tarde de ontem, questionou novamente a legitimidade do processo no Twitter, afirmando que sua vantagem começou a "desaparecer magicamente" e que "cédulas surpresa" foram contadas — algo que afirmou ser "muito estranho". A mensagem, assim como outra em que se declarava vencedor, recebeu uma sinalização do Twitter de que seu conteúdo seria contestável e que poderia ter informações incorretas.

Biden, por sua vez, tuitou um vídeo com supostos eleitores afirmando que "todos os votos contam". Em uma entrevista coletiva virtual, sua gerente de campanha, Jen O'Malley Dillon, afirmou estar muito confiante na vitória, mas que é necessário "calma e paciência".

Ela também falou sobre os estados onde a disputa segue aberta e, segundo os dados da campanha, afirmou que Biden deve vencer na Pensilvânia, Nevada e Arizona — embora, nesses dois últimos, tenha ponderado que a margem será pequena.

— Nossos dados mostram que o Joe Biden será o próximo presidente dos Estados Unidos — declarou, ao lado do conselheiro da campanha, Bob Bauer.

Apesar da confiança, Dillon frisou que o foco da campanha nesse momento é a apuração e evitou falar sobre projeções caso o democrata se eleja.