Trump agradece a Irã por negociação justa para libertar prisioneiros

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O emissário americano no Irã, Brian Hook, recebe na Suíça o pesquisador americano Xiyue Wang, após sua libertação por Teerã, em 7 de dezembro de 2019

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, agradeceu neste sábado (7) ao Irã por uma "negociação muito justa" após uma troca de prisioneiros entre os dois países inimigos, organizada pela Suíça.

Foram libertados Massud Soleimani, iraniano detido nos Estados Unidos, e Xiyue Wang, americano preso no Irã.

"Foi fantástico mostrar que podemos conseguir alguma coisa. Talvez seja uma antecipação do que se pode conseguir", disse Trump na Casa Branca.

"Obrigado ao Irã por uma negociação justa. Vejam bem, podemos chegar a um acordo juntos", escreveu o presidente mais cedo no Twitter.

"Contente de que o professor Massud Soleimani e o senhor Xiyue Wang reencontrem seus familiares em breve", havia tuitado mais cedo o chefe da diplomacia iraniana, Mohammad Javad Zarif.

Este último dirigiu "um forte agradecimento a todos os implicados [na libertação dos presos], particularmente o governo suíço", que representa os interesses americanos em Teerã na ausência de relações diplomáticas entre os dois países desde 1980.

Xiyue Wang se encontra na Alemanha, onde faz exames de saúde. Ele permanecerá no país europeu por uma curta estadia, indicou um alto funcionário da administração americana. Ele está "de muito, muito bom humor" e aparentemente goza de boa saúde.

"A Suíça confirma seu papel no gesto humanitário que teve lugar hoje em seu território e conduziu a libertação dos senhores Soleimani e Wang", detalhou o ministério suíço de Assuntos Estrangeiros.

Fotos publicadas por Washington mostram Wang sendo recebido por diplomatas americanos na pista do aeroporto de Zurique.

Xiyue Wang, pesquisador sino-americano, cumpria pena de dez anos de prisão por espionagem no Irã. Doutorando em história na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, ele fazia pesquisas sobre a dinastia Qajar, no Irã, onde foi preso em agosto de 2016.

Massud Soleimani, professor da Universidade Tarbiat Moddares de Teerã e especializado em células-tronco, se encontrava nos Estados Unidos em 22 de outubro de 2018 para fazer trabalhos de pesquisa. Ele foi preso em sua chegada ao aeroporto de Chicago e transferido para uma prisão em Atlanta, segundo a agência oficial iraniana Irna.

Em um comunicado, o chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, agradeceu ao governo suíço e comemorou que Teerã "tenha sido construtivo nesta questão".

"Nós continuamos a pedir a libertação de todos os cidadãos americanos injustamente detidos no Irã", acrescentou.

Um alto funcionário americano, que pediu para ter a identidade protegida, disse confiar em que a libertação de Wang sinalize que "os iranianos são, talvez, prontos a discutir todas estas questões", principalmente sobre seus programas nuclear e de armamento, de "reféns americanos" detidos no Irã e das "atividades nefastas" de Teerã na região.

As relações entre o Irã e os Estados Unidos deterioraram-se muito desde maio de 2018, quando o presidente Donald Trump retirou seu país do acordo internacional nuclear iraniano, antes de restabelecer unilateralmente as sanções econômicas contra Teerã.

As detenções de estrangeiros no Irã, principalmente binacionais, frequentemente acusados de espionagem, aumentaram desde então.

Entre eles, o americano Michael White, condenado em março a mais de dez anos de prisão, o iraniano-britânico Nazanin Zaghari-Ratcliffe preso desde 2016 por sedição, e iranianos-americanos, incluindo o empresário Siamak Namazi e seu pai Mohammad Bagher Namazi, que cumprem uma sentença de dez anos por "espionagem" desde 2015 e 2016.

As autoridades iranianas também prenderam em junho o pesquisador francês Roland Marchal, ao mesmo tempo que sua colega iraniana-francesa Fariba Adelkhah, especialista em islamismo xiita, cuja detenção foi confirmada por Teerã em julho.

Em outubro, os australianos Jolie King e Mark Firkin, que foram presos sob a acusação de "espionagem", foram libertados em uma provável troca de prisioneiros com a estudante iraniana Reza Dehbashi.

O número de iranianos detidos no exterior não é conhecido.