Trump apela à justiça para virar resultados a seu favor, mas com pouca chande de sucesso

Charlotte PLANTIVE
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Presidente Donald Trump em 16 de janeiro de 2017 em Nova York
Presidente Donald Trump em 16 de janeiro de 2017 em Nova York

Donald Trump denunciou neste sábado a existência de "fraude" e prometeu desafiar Joe Biden em tribunal, mas até agora não apresentou provas e as suas alegações parecem insuficientes para alterar o resultado das eleições americanas.

Poucos minutos após o anúncio pela imprensa da vitória do democrata Joe Biden, o presidente republicano considerou que a eleição não "acabou" e disse que na segunda-feira irá à Justiça. 

Em vários tuítes, descritos como "enganosos" pela própria rede social, ele falou de "dezenas de milhares de cédulas ilegalmente recebidas" e de uma "grave" falta de transparência na contagem dos votos. 

Os democratas "se comportaram de uma forma que sugere fraude", acrescentou seu advogado Rudy Giuliani com imprecisão semelhante em uma coletiva de imprensa na Filadélfia, aludindo a cédulas em nome de pessoas falecidas e "adulteração". 

Seus aliados, por sua vez, denunciaram a existência em alguns circuitos de "cartazes que obstruem a visão" dos observadores da contagem, de cédulas pré-datadas e asseguraram que houve cidadãos que votaram fora dos distritos eleitorais que lhes correspondiam, sem apresentar provas a esse respeito. 

"A estratégia judicial de Trump não leva a lugar nenhum", disse o professor de direito Rick Hasen. "Não fará nenhuma diferença no resultado da eleição", escreveu em seu blog.

- A "exceção" da Pensilvânia -

"Não tenho conhecimento de nenhum recurso que tenha base legal, com uma pequena exceção na Pensilvânia", avaliou Steven Huefner, professor de direito da Universidade de Ohio, referindo-se às cédulas que chegaram por correspondência neste estado-chave, onde Biden triunfou por uma pequena margem. 

Levando em consideração o mau funcionamento do serviço de correio e o aumento do recurso ao voto por correspondência devido à pandemia, os funcionários do estado democrata decidiram antes da eleição que as cédulas enviadas até terça-feira seriam válidas desde que chegassem ao seu destino até a última sexta-feira. 

Os republicanos da Pensilvânia foram ao tribunal para anular essa decisão, mas a Suprema Corte se recusou a intervir, embora tenha deixado a porta aberta para uma análise substantiva do problema após a votação.

As autoridades da Pensilvânia então ordenaram que as cédulas que chegassem por essa via fossem contadas separadamente, no caso de serem posteriormente invalidadas. 

Os republicanos garantiram que em alguns circuitos eleitorais essa ordem não foi respeitada e voltaram ao Supremo Tribunal Federal. 

Um dos membros da mais alta corte, o muito conservador juiz Samuel Alito, ordenou na noite de sexta-feira que todos os circuitos eleitorais da Pensilvânia acatassem a ordem de anular os votos que chegaram após o dia das eleições. 

Mas mesmo que todos fossem invalidados, seriam insuficientes para virar o resultado final, porque numericamente eles seriam muito menos do que os 37 mil votos a mais de Biden sobre Trump neste estado.

- "Afirmações vagas" -

Além disso, se o magnata republicano tiver sucesso na vitória da Pensilvânia, não será suficiente para ele permanecer na Casa Branca, já que o candidato democrata o derrotaria em outros estados importantes. Ele deve então obter muitos milhares de votos mais invalidados em vários estados também. 

De acordo com Rudy Giuliani, Trump vai abrir processos em uma dúzia de estados. 

"Acho que os juízes os rejeitarão muito rapidamente", disse Steven Huefner, lembrando que "alegações vagas de fraude" são insuficientes para convencer um magistrado. "É preciso apresentar os fatos", disse à AFP. 

Além de suas iniciativas judiciais, Donald Trump quer pedir uma recontagem em Wisconsin, onde está apenas 0,6 ponto atrás do democrata. 

As autoridades georgianas, onde a diferença entre os dois candidatos é de alguns milhares de votos, também podem decidir recontar os votos. 

Essas operações podem atrasar o anúncio dos resultados oficiais. "Mas na história moderna nunca foi possível que mais de algumas centenas de votos" mudassem de cor, lembra Huefner, para quem os dados definitivamente já foram lançados.

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