Trump apresenta plano de orçamento em ano eleitoral com alta expectativa de crescimento

(Arquivo) Nancy Pelosi rejeitou os cortes propostos no plano de orçamento do presidente Donald Trump

O presidente do Estados Unidos, Donald Trump, apresentou nesta segunda-feira (10), a nove meses das eleições presidenciais, um roteiro orçamentário que prevê um grande corte à ajuda externa e o abandono das principais promessas de redução do déficit com base na expectativa de um crescimento econômico elevado e improvável.

O plano final de gastos de Trump para o primeiro mandato enfrenta a derrota quase certa na Câmara de Representantes, controlada pelos democratas, mas oferece uma visão das prioridades do governo.

O orçamento introduz cortes em programas sociais, proteção ambiental e assistência estrangeira para fortalecer a alocação de recursos para defesa e estender cortes de impostos para setores mais afortunados e empresas, de acordo com autoridades e com vários relatos da mídia americana.

Um funcionário adiantou, sob a condição do anonimato, que o governo pretende cortar mais de 21% de ajuda ao exterior, reduzindo a US$ 44 bilhões de dólares. Ele acrescentou que também está programada uma redução drástica em auxílios para várias instituições internacionais como a Organização Pan-americana de Saúde, com sede em Washington.

A proposta abandona o objetivo declarado de fechar o déficit orçamentário em 10 anos e segue a meta até 2035.

No entanto, mesmo essa extensão de tempo significa que a economia dos EUA crescerá 3% ao ano, o que suportaria maiores receitas tributárias, algo que não foi alcançado de forma consciente em mais de uma década e não foi visto na economia depois de 11 anos consecutivos de crescimento.

Apesar de se comprometer a continuar a guerra de longa data dos republicanos contra o déficit, o governo Trump mostrou pouco interesse em resolver o problema, com um vermelho que deve exceder US$ 1 trilhão este ano, por uma dívida duas vezes maior do que o estimado no primeiro plano orçamentário.

O projeto de US$ 4,8 trilhões inclui cortes de US$ 2 trilhões em programas não relacionados ao item de defesa, incluindo benefícios como vale-refeição e economia da cobertura de medicamentos receitados do plano Medicare.

O diretor interino de orçamento do governo, Russell Vought, disse nesta segunda-feira que a proposta incluirá mais de US$ 740 bilhões em gastos de defesa, um aumento de 20%. E que US$ 1,5 trilhão de cortes de impostos, que beneficiam principalmente os mais ricos, serão estendidos além de 2025.

A presidente democrata da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, criticou a proposta.

"O orçamento é uma declaração de valores e, mais uma vez, o presidente mostra quão pouco valoriza a boa saúde, a segurança financeira e o bem-estar das famílias americanas que trabalham", afirmou em um comunicado.

"Ano após ano, o orçamento do presidente Trump tentou infligir cortes devastadores nas linhas de vida críticas, nas quais milhões de americanos confiam", ressaltou.

- Repensar a ajuda ao exterior -

Ao apresentar o plano, Vought disse aos jornalistas: "Essa é uma proposta orçamentária construída sobre as políticas econômicas pró-crescimento do presidente, que impulsionaram uma das economias mais poderosas da história dos EUA".

O interino de orçamento do governo alertou para a necessidade de restrição de gastos relacionados com a Defesa e que é tempo de repensar a ajuda ao exterior.

Vought apoiou, ainda, as metas de crescimento de 3%, ao indicar que as estimativas são "totalmente possíveis de alcançar nos próximos dez anos".

O orçamento inclui US$ 2 bilhões em gastos de segurança interna relacionados com a construção do muro na fronteira com o México, além de um aumento de 12% nos gastos com a Nasa (agência espacial americana), frente a uma redução superior a 26% nos fundos para a Agência de Proteção Ambiental.

Quanto aos fundos destinados ao Pentágono, o projeto prevê uma redução considerável ao destinado às operações externas. O presidente, que quer finalizar as "guerras intermináveis", reserva US$ 69 bilhões para as operações militares de combate ao extremismo no Afeganistão, Síria, Iraque, Somália e outros, contra os US$ 71,3 bilhões disponibilizados atualmente.

MacGuineas assegurou que a proposta inclui algumas reformas políticas importantes para por o déficit em um viés descendente.

Mas quando se eliminam as previsões de crescimento promissor, adverte, ainda resta uma montanha de dívida.