Polícia dispersa marcha opositora antes de chegar ao parlamento venezuelano

Caracas, 3 mai (EFE).- A Guarda Nacional Bolivariana (GNB, polícia militar) da Venezuela dispersou nesta quarta-feira com bombas de gás lacrimogêneo uma mobilização opositora no leste de Caracas que pretendia chegar até a sede da Assembleia Nacional (AN, parlamento), situada no centro da capital.

A marcha transcorria sem inconvenientes com milhares de participantes por uma grande avenida do leste da cidade, mas foi dispersada ao chegar à autoestrada Francisco Fajardo, a principal artéria viária da capital.

A coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) assegurou através do Twitter que os agentes da força pública lançaram estes gases contra "manifestantes pacíficos" espalhando "uma nuvem tóxica".

A marcha estava liderada por dezenas de deputados opositores, que formam a maioria no parlamento, e foi convocada para rejeitar a "continuação do golpe de Estado" no país, algo pelo que acusam o governo do presidente Nicolás Maduro.

O governador opositor e duas vezes candidato presidencial, Henrique Capriles, fez uma transmissão ao vivo via Periscope na qual mostrou agentes da GNB a bordo de motocicletas e blindados que disparavam gás lacrimogêneo e balas de borracha nos locais de protesto.

"Pura repressão, eles não têm pena (...) fomos novamente dispersados, vimos passar centenas de policiais, como se fossem para uma guerra, para não permitir que os deputados chegassem à Assembleia Nacional", disse Capriles, visivelmente afetado pelos gases.

Por sua parte, a deputada Gaby Arellano responsabilizou o ministro da Defesa, Vladimir Padriño López, e o comandante geral da GNB, Antonio Benavides, pela violência suscitada durante este protesto.

Já o primeiro vice-presidente da Câmara, Freddy Guevara, afirmou no Twitter que tinha ficado ferido pelo impacto de uma bomba de gás lacrimogêneo em uma de suas pernas na autoestrada.

Durante as últimas cinco semanas cerca de 20 marchas opositoras foram dispersadas pelas forças de segurança com gases, balas de borracha e jatos de água no mesmo lugar de Caracas, o que gerou enfrentamentos que deixaram centenas de feridos. EFE