Trump contrata dois advogados acostumados a polêmicas para julgamento de impeachment

Charlotte PLANTIVE
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Donald Trump durante discurso para os apoiadores em 6 de janeiro de 2021, em Washington

Um é um ex-promotor que se recusou a processar o ator Bill Cosby por agressão sexual. O outro continua convencido de que o financista Jeffrey Epstein não cometeu suicídio na prisão. Donald Trump escolheu dois advogados controversos para representá-lo em seu julgamento de impeachment no Senado.

Acusado de ter incitado a invasão do Capitólio no dia 6 de janeiro, o ex-presidente republicano não teve vida fácil para formar a equipe que o defenderá.

Após a deserção de cinco juristas neste fim de semana, e apenas oito dias antes do início de seu processo, ele finalmente confiou a tarefa a Bruce Castor e David Schoen.

Apesar de não serem advogados do primeiro escalão da elite americana, os dois já estiveram nas manchetes e podem dar sua contribuição ao espetáculo das audiências que serão transmitidas ao vivo para todo o país.

Estabelecido no Alabama, o criminalista Schoen já se gabou de ter defendido "todos os tipos de gangsteres", incluindo os chefes da máfia russa ou italiana.

Entre seus clientes mais famosos está Roger Stone, amigo de longa data de Trump. Condenado por "perjúrio" durante a investigação russa, este autoproclamado especialista em "golpes baixos" da política foi finalmente perdoado pelo presidente pouco antes de deixar o poder.

Schoen, porém, deu mais o que falar após a morte do bilionário Jeffrey Epstein em agosto de 2019. O advogado afirmou ter sido contratado para defender Epstein, acusado de exploração sexual de menores, e tê-lo visitado antes de ser encontrado enforcado em sua cela.

"Não acho que seja suicídio", afirmou Schoen ao Atlanta Jewish Times na época.

Diante desse tipo de especulação, a Polícia Federal e o Ministério Público abriram investigações, mas o resultado da autópsia confirmou o suicídio.

"Ainda acho que ele foi assassinado", repetiu Schoen em setembro.

- #MeToo -

Nada hostil à cobertura da mídia, Schoen apareceu várias vezes na Fox News, também foi destaque em um documentário sobre o escândalo de Epstein e confidenciou ter feito cursos de interpretação. Garantiu, no entanto, que pôs fim a essa fase: "Isso toma muito tempo do meu trabalho jurídico, embora tenha sido contactado por três agentes...".

Castor, por sua vez, foi por muito tempo procurador de um condado da Pensilvânia. No influente cargo, ele se recusou, em 2005, a denunciar criminalmente o humorista Bill Cosby, acusado por uma mulher de violência sexual.

O artista, denunciado por dezenas de outras mulheres nos anos seguintes, acabou sendo condenado à prisão treze anos depois por esses abusos.

Castor, um ex-legislador republicano de 59 anos, também foi procurador-geral interino do estado da Pensilvânia. Mas, no meio do movimento #MeToo, suas ambições políticas foram minadas por suas decisões no caso Cosby.

A partir de 9 de fevereiro, os dois advogados serão vistos novamente sob os holofotes durante o julgamento de Trump, o único presidente na história dos Estados Unidos a enfrentar dois impeachment.

- Desistências -

O ex-presidente será julgado por "incitamento à insurreição" depois que seus seguidores invadiram o Capitólio na sessão em que os congressistas certificavam a vitória do democrata Joe Biden nas eleições presidenciais.

Alguns dos 50 senadores republicanos, chocados com a violência da invasão, podem somar seus votos aos dos 50 democratas. É improvável, porém, que se chegue aos 67 congressistas necessários para que Trump seja condenado.

Para evitar um debate substantivo, os advogados de Trump deverão argumentar que um ex-presidente não pode sofrer um impeachment.

"Schoen e Castor concordam em que este impeachment é inconstitucional", disse o comunicado anunciando a contratação dos advogados.

Resta saber se os dois advogados tentarão justificar a cruzada pós-eleitoral de Trump retomando suas alegações infundadas de fraude.

Segundo a imprensa norte-americana, uma parte dos advogados de Trump abandonou sua defesa no último fim de semana justamente por se recusar a usar este argumento.

Schoen garantiu ao Washington Post que também não pretende seguir este caminho. “Não sou uma pessoa preparada para desenvolver uma teoria sobre fraude eleitoral”, declarou. "O processo não será sobre isso".

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