Trump critica Partido Republicano contra possível bloqueio de seu veto no Congresso

Jerome Cartillier com Chris Lefkow em Washington
·3 minuto de leitura
Foto de arquivo de 7 de dezembro do presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca em Washington

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou nesta terça-feira (29) os líderes republicanos no Congresso pela possibilidade de seu governo terminar com uma humilhante anulação de seu veto ao orçamento da Defesa.

"Os fracos e cansados 'líderes' republicanos vão permitir que a terrível Lei de Defesa passe", declarou o presidente em fim de mandato, de seu resort em Mar-a-Lago, na Flórida, onde passa férias.

"É um ato vergonhoso de covardia e submissão total por parte das pessoas fracas à indústria de tecnologia", disse Trump, que vetou a regulamentação em parte porque ela não revoga uma seção que fornece proteção contra a responsabilidade das empresas de internet por conteúdos postados por terceiros.

O presidente pediu que eles "negociassem uma lei melhor" e também os criticou por não apoiá-lo em suas alegações - sem comprovação - de que houve fraude nas eleições de 3 de novembro, vencidas pelo democrata Joe Biden.

"Precisamos de uma liderança republicana nova e enérgica", publicou no Twitter, chamando os líderes de seu partido de "patéticos" e afirmando que muitos parecem ter esquecido que foi ele que os ajudou a serem eleitos.

O líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, ignorou as críticas e agendou uma votação para bloquear o veto do presidente nesta quarta-feira, mas um processo de objeção apresentado pelo senador de esquerda Bernie Sanders pode adiar o processo até sexta.

Sanders e outros democratas querem que seja votada também uma emenda para aumentar de 600 para 2 mil dólares a ajuda direta para os americanos em dificuldades devido à pandemia, medida apoiada pela Câmara dos Representantes e por Trump. McConnell, porém, barrou a manobra.

Nesta segunda-feira, a câmara baixa - controlada pelos democratas - decidiu por 322 votos a 87 o bloqueio do veto que Trump impôs à lei do orçamento da Defesa, de 740,5 bilhões de dólares, com 109 votos de republicanos. No Senado, a iniciativa precisa do apoio de dois terços para ser aprovada e, assim, anular o veto.

- Trump sob pressão -

A votação na Câmara aconteceu um dia depois de Trump ceder à pressão de ambos os partidos e sancionar o pacote de ajuda econômica de 900 bilhões de dólares para ajudar famílias e empresas afetadas pela pandemia, que ele também ameaçou bloquear.

Trump reteve a lei sem assiná-la por dias, apesar do fato de que seu próprio secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, a negociou, e de que o regulamento ganhou apoio bipartidário no Congresso. A ação poderia ter deixado o governo sem recursos a partir desta terça, privando, também, milhões de americanos de ajuda econômica para enfrentar a crise por conta da pandemia.

O presidente finalmente cedeu e assinou a lei no domingo, em um sinal das crescentes dificuldades com seu partido e da queda de seu poder dias antes do final de seu mandato, em 20 de janeiro.

Biden classificou o pacote de alívio como "um passo na direção certa", mas pediu mais ações aos legisladores.

"Isso vai funcionar para algumas pessoas, mas está longe do que precisamos como resposta para a covid. É como um pagamento de entrada", afirmou o presidente eleito em discurso sobre a resposta à pandemia.

Esses ataques de Trump contra seu próprio partido ocorrem uma semana antes do segundo turno das eleições para o Senado na Geórgia, eleição em que duas cadeiras estão em jogo e que determinará qual partido controlará a câmara alta. Trump tem viagem prevista para esse estado do sul em 4 de janeiro, para apoiar os companheiros David Perdue e Kelly Loeffler nas eleições do dia seguinte.

O estado costumava ser um reduto republicano, mas, nas eleições presidenciais, Biden venceu por uma margem estreita e Perdue e Loeffler estão em um duelo muito próximo com os democratas Jon Ossoff e Raphael Warnock.

Incluindo a lei de Defesa, Trump exerceu o veto nove vezes durante seu mandato, mas, até agora, o Congresso não havia reunido votos para anular esse privilégio do Executivo.

cl-an/gm/jc/mvv/ic/lb/am