Trump defende demissão de agente que estaria investigando Pompeo

1 / 2
Esta foto de arquivo, tirada em 20 de fevereiro de 2020 na Arábia Saudita, mostra o Secretário de Estado dos Estados Unidos Mike Pompeo chegando à Base Aérea Prince Sultan em Al-Kharj.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda-feira (18) que estava totalmente justificada a demissão de um inspetor do Departamento de Estado que, segundo os legisladores, estava investigando o secretário de Estado, Mike Pompeo, bem como uma venda de armas à Arábia Saudita.

O inspetor demitido, Steve Linick, investigava uma denúncia de que Pompeo estava confiando tarefas domésticas, como passear com seu animal de estimação ou pegar roupas numa lavanderia, a um agente do Departamento pago com dinheiro público, segundo congressistas democratas.

Trump reconheceu que demitiu Linick na sexta-feira a pedido de Pompeo e disse que não sabia o porquê.

Questionado por jornalistas sobre a suposta investigação, ele afirmou mais tarde que tinha "todo o direito" de demitir o funcionário porque foi nomeado por seu antecessor, Barack Obama.

Pompeo disse pouco antes que Linick estava "minando" a missão do Departamento de Estado, sem especificar como, e confirmou, em uma entrevista ao The Washington Post, que havia recomendado sua remoção ao presidente Donald Trump.

"Não é possível que esta decisão" seja "fruto de uma vontade de represália contra uma investigação em curso", declarou ao jornal.

"Simplesmente porque não estou a par" desta investigação, acrescentou.

"Em geral, vejo estas investigações em sua última versão 24 ou 28 horas antes de o inspetor-geral se dispor a publicá-las", explicou Pompeo.

- Venda de armas para sauditas -

Membros democratas do Congresso abriram uma investigação sobre a demissão, alegando que ela poderia ser vista como retaliação ilegal.

Para o presidente do Comitê de Relações Exteriores da Câmara, o democrata Eliot Engel, a remoção pode estar ligada a outra investigação que Linick estava realizando.

"Sua equipe estava investigando - a meu pedido - a falaciosa declaração de emergência de Trump de enviar armas para a Arábia Saudita", declarou.

"Ainda não temos o quadro completo, mas é preocupante saber que o secretário de Estado Pompeo queria expulsar Linick", insistiu.

O governo Trump vendeu armas para Riad no ano passado sem a aprovação do Congresso, que tentou impedir o regime saudita de usar esse armamento no conflito no Iêmen, onde o reino realizou bombardeios pesados para combater os rebeldes huthis, apoiados pelo Irã.

- Defesa de Trump -

Trump insistiu na defesa de seu secretário de Estado ao garantir que Pompeo tinha coisas mais importantes a fazer do que cuidar de seu animal de estimação ou de tarefas domésticas.

"Aqui temos um homem que deve negociar guerra e paz com países importantes, que possuem armas como o mundo nunca viu antes", declarou o presidente à imprensa.

"E os democratas e a imprensa desonesta estão interessados em um homem que está passeando com seu cachorro", disse o presidente.

"Prefiro tê-lo ao telefone com algum líder mundial do que lavando a louça, porque talvez sua esposa não esteja lá."

Linick foi nomeado em 2013 por Obama para supervisionar o uso dos 70 bilhões dólares da diplomacia americana.

Mike Pompeo, 56, é um assessor próximo de Trump e um dos poucos que conseguiu evitar discordâncias públicas com um presidente impulsivo e imprevisível.

Pompeo assumiu o cargo em abril de 2018 no lugar de Rex Tillerson, que manteve um vínculo tempestuoso com o presidente e promoveu nos últimos meses uma mudança na diplomacia americana, além de divulgar, contrariamente à opinião científica generalizada, a teoria de que o novo coronavírus surgiu em um laboratório na China.

Enquanto isso, Linick desempenhou um papel menor no ano passado no processo de impeachment contra o presidente Trump, como remetente de documentos do advogado do milionário republicano Rudy Giuliani ao Congresso.