Senadores dos EUA dizem que Rússia contratou hackers para difamar Hillary

Washington, 30 mar (EFE).- Os líderes da Comissão de Inteligência do Senado dos Estados Unidos, o democrata Mark Warner e o republicano Richard Burr, alertaram nesta quinta-feira para o papel dos hackers russos nas eleições de novembro do ano passado e asseguraram ter recebido informação de que a Rússia contratou até mil especialistas para divulgar notícias falsas sobre Hillary Clinton.

"Sabemos da pirataria e dos vazamentos seletivos, mas o que realmente me preocupa são alguns relatórios - e temos que chegar ao fundo disto - de que havia mais de mil trolls contratados" pela Rússia, disse hoje Warner, vice-presidente da comissão, em entrevista coletiva no Capitólio.

Warner fez esses comentários por ocasião da audiência realizada pelo Comitê de Inteligência do Senado sobre esse tema.

"Fui informado disto, e temos que averiguar se foram capazes de afetar áreas específicas em Wisconsin, Michigan e Pensilvânia", explicou o senador democrata, com relação à divulgação de notícias negativas falsas sobre a candidata democrata, a ex-secretária de Estado, Hillary Clinton, que foi derrotada no pleito pelo atual presidente, o republicano Donald Trump.

"Um adversário exterior estrangeiro tentou eficazmente interferir no processo democrático mais crítico, a eleição de um presidente, e nesse processo, decidiu favorecer um candidato sobre outro", acrescentou Warner.

Os dois senadores também indicaram que estiveram em contato com o ex-general Michael Flynn, ex-conselheiro de segurança nacional de Trump, afastado no mês passado após mentir sobre suas reuniões e conexões com funcionários russos.

"Esta é uma das maiores investigações que vi desde que estou no Capitólio", disse Burr, presidente do Comitê de Inteligência, que está no Congresso desde 1995.

As investigações sobre a suposta ingerência russa nos pleitos presidenciais do ano passado começaram no Comitê de Inteligência da Câmara dos Representantes, mas surgem cada vez mais vozes pedindo uma comissão independente.

A razão é a aparente falta de independência do presidente desse comitê, o republicano Devin Nunes, que se negou a revelar fontes ou compartilhar informação com os demais congressistas.

Nesta quarta-feira, Burr e Warner tentaram garantir publicamente a independência e integridade de sua investigação, ao antecipar que na próxima semana começarão a entrevistar algumas das 20 pessoas que selecionaram, entre eles Jared Kushner, genro e assessor do presidente Trump.

Burr detalhou que sete profissionais estão analisando "uma quantidade de documentos (de inteligência) sem precedentes" que cifrou em "milhares".

O presidente do Comitê de Inteligência antecipou que uma revisão inicial da informação confidencial será completada em questão de "semanas".

Além das apurações do Congresso, o FBI (polícia federal americana) também abriu sua própria investigação. EFE