Trump defende medidas de 'senso comum' para o porte de armas

1 / 2
O presidente americnao, Donald Trump, fala com a imprensa na Casa Branca, 9 de agosto de 2019

O presidente americano, Donald Trump, defendeu nesta sexta-feira (9) reformas de "senso comum" sobre o direito ao porte de armas, reforçando seu pleno apoio ao poderoso lobby da Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês), o que desperta dúvidas sobre suas intenções.

Quase uma semana depois dos dois ataques a tiros em El Paso (Texas) e Dayton (Ohio), continua nos Estados Unidos a discussão sobre a necessidade do endurecimento de controles para obter armas de fogo.

"Há coisas de senso comum que podem ser feitas e que são boas para todos", disse Trump a jornalistas na Casa Branca.

O presidente americano disse ter falado com o líder da maioria republicana do Senado, Mitch McConnell, e com senadores do seu círculo, que também defendem o direito ao porte de armas.

"Eles entendem que não queremos gente demente, gente mentalmente doente, gente ruim e perigosa, não queremos armas nas mãos de gente equivocada", disse.

Pela manhã, o presidente havia assegurado pelo Twitter que é "o maior defensor da Segunda Emenda", que avaliza o direito a portar armas, e contou que esteve em contato com os diretores da NRA para assegurar que suas posturas sejam "representadas plenamente e respeitadas".

Trump disse que os líderes do Senado e da Câmara de Representantes estão discutindo uma "verificação de antecedentes séria" e reiterou que as armas não deveriam estar nas mãos de pessoas com problemas mentais.

- Um debate sobre as armas -

Os dois massacres do fim de semana reabriram o debate sobre as armas de fogo nos Estados Unidos, onde a cada ano morrem 40.000 pessoas em incidentes que as envolvem, inclusive suicídios.

Depois do ataque a tiros em Parkland, que deixou 17 mortos em um colégio da Flórida em fevereiro de 2018, Trump disse que apoiava uma proposta dos democratas para proibir os fuzis de assalto, ironizando o poder que tinha o lobby das armas sobre os legisladores.

Mas posteriormente voltou atrás e não desperdiçou nenhuma oportunidade de expressar apoio a essa organização, que aportou cerca de 30 milhões de dólares à sua campanha presidencial em 2016.

"Tenho uma relação muito boa com a NRA. Eles me apoiaram desde muito cedo. Foi uma grande decisão que tomaram", indicou nesta sexta-feira.

Na quinta, o vice-presidente-executivo da NRA, Wayne LaPierre, disse que a associação "se opõe a qualquer legislação que restrinja injustamente os direitos dos cidadãos respeitosos da lei".

"A verdade incômoda é esta: as propostas que muitos discutem não teriam evitado as tragédias horríveis em El Paso e Dayton", assegurou.

- Recesso parlamentar -

Em fevereiro, a Câmara de Representantes, de maioria democrata, aprovou uma reforma para aumentar os controles dos antecedentes psiquiátricos e judiciais dos compradores de armas, inclusive os intercâmbios entre particulares ou armas adquiridas em feiras, que hoje estão isentas.

Mas no Senado, onde os republicanos são maioria, o projeto não foi votado.

Na quinta, mais de 200 prefeitos americanos pediram ao Senado que suspenda o recesso de férias para aprovar uma legislação que imponha maiores requisitos ao porte, mas McConnell disse que não convocará os legisladores no meio de suas férias de verão para aprovar uma lei de controle de armas.

Os senadores republicanos, por sua vez, propuseram adotar em nível federal um dispositivo existente em alguns estados para confiscar as armas das pessoas que são consideradas perigosas para seu entorno ou para elas mesmas.

Os democratas - que defendem a regulação do mercado de armas como um argumento de campanha com vistas às presidenciais de 2020 - temem que esta reforma seja inútil sem "controles universais" de antecedentes.